Em entrevista ao ICL, Evo Morales denuncia plano para matá-lo e pede ajuda a Lula

"Que me prendam, mas que não me matem”, disse o ex-presidente boliviano, em entrevista a Leandro Demori
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A intrincada crise política na Bolívia ganha cada vez mais contornos dramáticos com o crescente racha entre o ex-presidente Evo Morales e o seu antigo herdeiro político Luis Arce, hoje o mandatário do país.

Depois de declarar no ano passado que estava sendo perseguido pelo governo para impedir que voltasse a se candidatar nas eleições desse ano, Evo faz denúncias ainda mais graves em entrevista exclusiva concedida ao diretor de jornalismo do ICL Notícias, Leandro Demori.

“O plano do governo, através do seu assessor privado Hugo Moldiz, é ‘baixar’. Repito: ‘baixar’ em termos militares é matar”, diz Evo. Moldiz é dono do jornal boliviano La Epoca.

Refugiado no interior do país, o ex-presidente, que, no ano passado, afirmou ter sofrido atentado a tiros, tomou providências para se proteger e evitar que seja morto ou preso.

“Há uma pequena equipe, tenho alguns companheiros de segurança, por aqui tenho quase mil seguranças concentrados todos os dias para evitar que alguém prenda Evo. Isso me lembra quando começaram a processar Lula. Os trabalhadores o protegiam em sua casa. Lula finalmente disse: ‘Vou me entregar à Justiça’. Eu disse, ah, [depois de] três ou quatro dias de tentativas de magnicídio [homicídio de pessoa ilustre]. Não. Eu vejo o povo sofrendo aqui (…) Prefiro que me prendam. Não quiseram. Já são sete meses. Então, o plano é infiltrar”.

Evo
Assessor de Evo Morales mostra carro alvejado em atentado, no ano passado

Ruptura entre Evo e Luis Arce

Pouco depois de voltar ao território boliviano, passada a tentativa de ruptura democrática ocorrida em 2019, Evo se pôs a criticar a política econômica e a condução do país por parte do correligionário Arce, a quem classifica como “neoliberal”. Ao anunciar que seria novamente candidato a presidente na eleição de 2025, a relação com o atual mandatário azedou de vez.

Investigado por um suposto caso de tráfico de pessoas que envolve uma menor de idade, Evo teve uma ordem de prisão contra si no ano passado, que foi anulada pela Justiça. Em 2024, o caso foi reaberto por um promotor, apesar de a suposta vítima nunca ter registrado formalmente a queixa, e um novo mandado de prisão foi emitido.

Ele afirmou que tudo foi um plano para tirá-lo da corrida eleitoral, declarou-se perseguido político e atribuiu a Arce essa perseguição. Ambos pertencem ao Movimento ao Socialismo (MAS).

O ex-presidente conta que as ameaças estão se intensificando e pede que o presidente Lula interceda na crise.

“Há dois ou três dias (observou-se) drones sobrevoando à noite. Segundo me disseram, estão planejando usar membros de minha equipe de segurança, das Forças Armadas e da polícia. Eles me conhecem, eu os conheço. [Querem] Usá-los para me prender. Mas o plano é mais que isso. Tomara que o irmão Lula possa parar isso, fazendo um chamado a Luis Arce. Caso contrário, o plano é matar ou me enviar para os Estados Unidos. Veja: o governo, a direita, o império. Isso faz parte da luta. Eu disse, em algum momento: que me prendam, mas que não me matem”.

Evo diz que está refugiado no interior por razões políticas.

“É como um confinamento, resultado de uma perseguição injusta e ilegal, por parte do governo nacional. Mas por trás dessa perseguição não está apenas o governo. Há o império, a direita e uma campanha contra Evo financiada pelos meios de comunicação pagos pelo governo”.

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