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Xingado por Braga Netto, general respondeu tudo que PF quis saber

Depoimento de general chamado de "cagão" por não concordar com golpe durou 8h
2 de março de 2024

O ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes, general que comandou a força em 2022, falou à Polícia Federal ontem (1), como testemunha, no inquérito que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu núcleo político por conspirações contra a democracia e o plano de dar um golpe no país.

Segundo a TV Globo, o depoimento durou aproximadamente oito horas e o general respondeu a todas as perguntas da PF. Como testemunha, ele foi informado de que teria a obrigação de dizer a verdade.

O depoimento de Freire Gomes faz parte da operação Tempus Veritatis, deflagrada pela PF em 8 de fevereiro. Na avaliação dos investigadores, o general Freire Gomes teve papel importante para evitar o uso das tropas do Exército em atos golpistas. Mas a PF queria saber por que o ex-comandante não denunciou o que estava sendo tramado dentro do governo.

Mensagens de WhatsApp do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil de Bolsonaro, confirmam que Freire Gomes sabia dos planos golpistas e se opôs a eles – tanto que Braga Netto sugere uma campanha de difamação contra o então comandante do Exército. Na ocasião, Braga Netto chega a chamá-lo de “cagão”.

É curioso que, embora não tenha aderido, ao que tudo indica, aos planos golpistas, foi ele quem deu ordem para que o Exército protegesse o acampamento antidemocrático montado na porta do Quartel-General da força em Brasília. Na ocasião, forças policiais tentaram desmobilizar o acampamento, mas foram impedidas pelos militares. A PF apura se o ex-comandante recebeu uma ordem superior.

Ex-comandante participou de conversas sobre golpe

De acordo com as investigações, Bolsonaro e aliados se organizaram para tentar um golpe de Estado e mantê-lo no poder, impedindo a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mauro Cid falou sobre ex-comandante em sua delação. Antônio Cruz/Agência Brasil

Mauro Cid falou sobre ex-comandante em sua delação premiada. Antônio Cruz/Agência Brasil

Segundo a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o general Freire Gomes participou das conversas sobre a minuta do golpe com o então presidente, mas se recusou a aderir a qualquer aventura golpista, irritando os militares aliados de Bolsonaro, como o general Braga Netto.

Em mensagem a outro oficial, Braga Netto candidato a vice na chapa de Bolsonaro, xingou Freire Gomes por ele não se juntar a uma tentativa de intervenção militar segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal.

Na semana passada, Bolsonaro, ex-ministros e militares foram à PF para ser ouvidos. Mas alguns deles, inclusive o ex-presidente, preferiram exercer o direito de ficar calados.

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