Ex-marqueteiro de Flávio aparece entre financiadores da produtora de Dark Horse

Marcello de Oliveira Lopes remeteu R$ 1 milhão à Go Up no período em que empresa movimentou R$ 19 milhões
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Por Cleber Lourenço

Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparece entre os principais remetentes de dinheiro à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme inspirado em Jair Bolsonaro. Lopes transferiu R$ 1 milhão para a empresa de Karina Gama no fim de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) reproduzido em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A transferência ocorreu dentro de um período de 51 dias, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, no qual o Coaf identificou movimentações consideradas atípicas nas contas da Go Up. Ao todo, R$ 19,03 milhões passaram pela empresa, no período em que o filme Dark Horse era produzido no Brasil.

A decisão de Dino registra:

“A comunicação de n.º 24 já foi brevemente tratada no item 1.4.2.3., mas versa sobre movimentações consideradas atípicas em contas correntes da empresa Go Up Entertainment Ltda […] abrangendo o período de 10/11/2025 a 30/12/2025, em que a empresa movimentou R$ 19.033.071,00, sendo R$ 8.955.158,00 a crédito e R$ 10.077.913,00 a débito.”

Na sequência, o documento identifica quem aparece entre os principais responsáveis por abastecer as contas da produtora:

“Figuram, dentre os principais remetentes de recursos para a empresa, a Moneycorp Banco de Câmbio S.A., que enviou R$ 3.920.976,40; a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, responsável por transferências que totalizaram R$ 2.614.000,00; Marcello de Oliveira Lopes, que remeteu R$ 1.000.000,00; a NTT Brasil Ltda., que enviou R$ 750.000,00; e o Deputado Federal Mário Frias, que realizou transferências no montante de R$ 645.400,00.”

O dado coloca o ex-marqueteiro de Flávio entre os maiores remetentes identificados pelo Coaf naquele recorte. O R$ 1 milhão corresponde a 11% dos R$ 8,95 milhões que entraram nas contas da Go Up durante os 51 dias analisados.

O relatório financeiro integra a investigação da Polícia Federal que levou à operação autorizada por Dino nesta quinta-feira (10). A Go Up e sua proprietária, Karina Gama, estão entre os alvos da apuração.

No trecho em que relaciona Marcello Lopes, a decisão não informa a origem do R$ 1 milhão nem detalha a finalidade da transferência. Também não aponta contrato ou outro instrumento que explique a que se destinava o valor remetido à produtora.

O documento estabelece, porém, que Marcello transferiu R$ 1 milhão diretamente à Go Up e figura entre seus principais remetentes no período em que as contas da empresa foram objeto do alerta do Coaf.

A natureza e a destinação desse dinheiro estão entre os pontos que devem ser aprofundados a partir do rastreamento financeiro realizado pela investigação.

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