Ex-presidente do BRB diz ao STF que PGR ignorou tentativa de delação no caso Master

Petição protocolada há 11 dias afirma que Paulo Henrique Costa procurou autoridades para negociar acordo, mas não recebeu resposta da Procuradoria
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Por Cleber Lourenço

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Procuradoria-Geral da República ignorou suas tentativas de colaborar com as investigações relacionadas ao caso Master.

Em petição protocolada no último dia 12 de junho e ainda sob análise do ministro André Mendonça, a defesa sustenta que o ex-dirigente procurou espontaneamente as autoridades, participou de uma reunião formal para discutir uma eventual colaboração e, desde então, não recebeu qualquer retorno.

O pedido de revogação da prisão preventiva foi apresentado ao Supremo há 11 dias. No documento, os advogados afirmam que Paulo Henrique buscou a PGR em 19 de abril para iniciar tratativas de colaboração e participou de uma reunião com autoridades em 28 de maio.

“Realizada reunião formal com as autoridades dia 28 de maio de 2026, há mais de duas semanas, não obteve qualquer resposta da d. Procuradoria-Geral”, afirma a defesa.

Os advogados também sustentam que Paulo Henrique jamais foi interrogado desde a primeira decisão cautelar imposta no caso, em novembro de 2025.

“Desde a primeira decisão cautelar, em novembro de 2025 – há, portanto, 7 meses! – o Requerente, a despeito de diversos pedidos formulados, nunca foi interrogado pelas Autoridades”, diz a petição.

O documento foi protocolado em 12 de junho e segue pendente de apreciação pelo gabinete do ministro André Mendonça.

Defesa fala em investigado “cruelmente ignorado”

O tom adotado pelos advogados chama atenção pela dureza das críticas dirigidas às autoridades responsáveis pela investigação.

Segundo a defesa, Paulo Henrique não representa risco de continuidade delitiva, não possui mais influência sobre o sistema financeiro e não teria condições de interferir na produção de provas.

Os advogados afirmam que todas as condutas atribuídas ao ex-presidente do BRB decorreriam exclusivamente do exercício do cargo e que sua atuação foi interrompida primeiro pelo afastamento cautelar e posteriormente pela demissão.

A petição também critica os fundamentos utilizados para justificar a prisão preventiva, classificados como genéricos e sem indicação de fatos concretos posteriores ao afastamento do executivo.

“O que se tem, portanto, ao contrário das levianas ilações acusatórias, não é um investigado imbuído de permanente ânimo delitivo, porém um cidadão ávido por ser ouvido, por colaborar, cruelmente ignorado pelas Autoridades”, afirmam os advogados.

Em outro trecho, a defesa afirma que houve apenas uma acareação no curso da investigação, realizada sem interrogatório prévio, situação classificada como “um acinte procedimental”.

Comparação com Daniel Vorcaro

A defesa também estabelece uma comparação com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo os advogados, enquanto Vorcaro já apresentou propostas de colaboração às autoridades, Paulo Henrique sequer teria conseguido acesso aos elementos necessários para uma eventual negociação.

“Mesmo diante do candidato ao colaborador Daniel Vorcaro, que já teve duas propostas rejeitas”, afirma a petição.

Os defensores sustentam que o ex-presidente do BRB recebeu tratamento mais severo, apesar de já estar afastado do sistema financeiro e sem capacidade de influenciar as investigações.

Delação poderia atingir Ibaneis

Segundo uma fonte com acesso ao caso ouvida pela reportagem, uma eventual colaboração de Paulo Henrique Costa tem potencial para atingir diretamente o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

De acordo com a fonte, as informações que o ex-presidente do BRB pretendia apresentar às autoridades alcançariam decisões e movimentações relacionadas ao núcleo político do Distrito Federal.

A defesa, entretanto, não detalha o conteúdo das informações que pretendia apresentar nem menciona Ibaneis Rocha na petição encaminhada ao Supremo.

Bastidores do gabinete de Mendonça

Nos bastidores do Supremo, o pedido apresentado pela defesa chamou atenção de integrantes do entorno do ministro André Mendonça.

Uma fonte ligada ao gabinete do relator afirmou à reportagem que a argumentação apresentada pelos advogados “parecia ter fundamento”.

Segundo o interlocutor, a atuação da defesa do ex-presidente do BRB não tem gerado atritos com o gabinete do relator e afasta que o ministro está criando qualquer dificuldade.

“Não está tendo nada da nossa parte. De crítica e tal. Até porque o advogado não fica criando problema aqui.”

Delações colocam caso Master no centro de Brasília

As discussões envolvendo acordos de colaboração relacionados ao caso Master ganharam dimensão pública nos últimos dias.

Durante entrevista ao programa Roda Viva, na segunda-feira (22), a jornalista Mônica Bergamo questionou o ministro Gilmar Mendes sobre os rumos da delação do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a jornalista, a colaboração teria potencial para atingir integrantes dos três Poderes e estaria enfrentando dificuldades para avançar.

“A minha impressão é que a delação é uma página virada. Uma delação que atemoriza tantas pessoas poderosas — ministro do Supremo, grandes lideranças do Congresso, o Executivo — não vai sair”, afirmou Bergamo.

Gilmar respondeu:

“No atual momento, parece que você tem razão. Mas as coisas podem mudar. Eu não vou assumir nenhuma posição em relação a isso.”

A declaração chamou atenção de auxiliares do ministro André Mendonça ouvidos pela reportagem. Nos bastidores do Supremo, o avanço das negociações envolvendo colaborações relacionadas ao caso Master continua sendo acompanhado sob forte sigilo.

Enquanto a delação de Daniel Vorcaro permanece cercada de expectativas em Brasília, a defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que o ex-presidente do BRB já procurou as autoridades para colaborar, participou de reuniões formais e, até agora, não recebeu resposta da Procuradoria-Geral da República.

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