China e Brasil rechaçam a ingerência em eleições nacionais e insistem que a exploração de minérios críticos deve vir acompanhada pelo desenvolvimento da produção nacional. Os dois assuntos foram tratados numa reunião nesta quarta-feira entre o assessor especial do Palácio do Planalto, Celso Amorim, e o chanceler chinês, Wang Yi, em Pequim.
Amorim ainda entregou uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o líder chinês, Xi Jinping. Nela, o brasileiro “destaca a solidez e a importância estratégica da cooperação bilateral, a convergência entre os dois países e as sinergias entre seus projetos nacionais de desenvolvimento”.
O ICL Notícias apurou que, durante o encontro, Amorim e Yi concordaram que existe um ponto pacífico na relação bilateral: o rechaço à interferência nas eleições. O tema surge às vésperas do pleito no Brasil e que, nos últimos meses, vem sendo alvo de ataques por parte do governo de Donald Trump.
A Casa Branca estuda a possibilidade de aplicar novas sanções contra autoridades brasileiras, criando uma desestabilização política no país.
Lula se prepara para embarcar para os EUA, onde abrirá a Assembleia Geral da ONU, na próxima terça-feira (22). Segundo o ICL antecipou, o brasileiro irá falar sobre a defesa da soberania e da democracia em seu discurso, um recado contra qualquer tipo de ingerência. Em seguida, será a vez de Trump subir no mesmo palco.

No encontro em Pequim nesta quarta-feira (16), Brasil e China ainda fizeram um “balanço altamente positivo dos avanços no relacionamento bilateral nos últimos anos”, disse uma nota do governo.
“Amorim e Wang Yi ressaltaram a importância da defesa da paz, do diálogo e do fortalecimento do multilateralismo. Ambos condenaram tentativas de ingerência em assuntos internos de outros países”, insistiram.
“Entre as áreas prioritárias de cooperação discutidas no encontro, foi destacado o desenvolvimento de inteligência artificial com código aberto e de forma ética e inclusiva”, afirmou um comunicado oficial do Planalto. “O desenvolvimento de capacidades produtivas e tecnológicas para agregação de valor em matéria de minerais críticos e terras raras também foi sublinhado”, insistiu.
O tema tem sido alvo da campanha eleitoral no Brasil, com o campo bolsonarista sugerindo aderir às iniciativas de Trump para transformar a América Latina numa reserva de mercado para sua indústria.
Foram discutidos, ainda, a situação internacional, os desdobramentos das atuais tensões na Ucrânia e Oriente Médio e a atuação do BRICS como promotor de diálogo.
Amorim e Yi ainda “reafirmaram a disposição de aprofundar o caráter estratégico da “Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo Mais Justo e um Planeta Sustentável”, ampliar a cooperação em áreas de interesse comum e atuar conjuntamente em favor da paz, do desenvolvimento e do fortalecimento do sistema multilateral.