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Delegado condenado no RJ ironizou morte de Marielle e fez ataques racistas a colega

Em conversas, Maurício Demétrio comemora morte de Marielle Franco e se refere à colega como 'macaca'
11 de janeiro de 2024

Falas racistas e falta de apreço pela vida humana pesaram na condenação do delegado Mauricio Demétrio, da Polícia Civil do Rio de Janeiro. É o que aponta a decisão do juiz Bruno Rulière, da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital. O magistrado considerou o teor das conversas extraídas de um dos 12 celulares apreendidos como “manifestações inaceitáveis”.

Segundo o jornal O Globo, em uma das conversas, Demétrio ironiza o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018. “Gente. O enterro da vereadora será no Caju. Mas a comemoração alguém sabe onde será?”, pergunta o delegado, um dia após o crime.

O juiz Bruno Rulière também considerou inapropriada uma outra conversa em que Demétrio se refere à delegada Adriana Belém de forma preconceituosa. “Refere-se de forma racista a uma delegada chamando-a de ‘macaca escrota’ e ‘crioula’”, afirmou o magistrado.

Ambas as conversas ocorreram em 2018 e o interlocutor de Demétrio é o delegado Allan Turnowski, na época, em um cargo de diretoria na Cedae. De acordo com O Globo, na conversa sobre Marielle, Turnowski responde com três emojis de espanto.

Em relação ao tratamento racista contra Adriana Belém, Turnowski, que foi secretário da Polícia Civil, posta um ponto de interrogação, como se não entendesse o motivo da expressão preconceituosa.

As gravações também mostram que Demétrio descreve o Brasil como “macacolândia”. “Aqui vemos o real sobre human and civil right’s [direitos humano e civil]. O discurso patético e esquerdista que vemos em macacolândia, é apenas um folhetim ridículo das viúvas de Fidel [Castro] e [Hugo] Chaves”, diz o delegado.

Segundo O Globo, a delegada Adriana Belém disse que vai “consultar advogados para saber qual providência tomar”. Já o delegado Allan Turnowski afirmou que, por orientação do advogado, não dá entrevistas. A defesa de Demétrio não retornou contato.

CONDENAÇÃO

Maurício Demétrio foi condenado a 9 anos e 7 meses de prisão pelo crime de obstrução de Justiça. A decisão ocorreu na última quarta-feira (4). De acordo com a decisão do juiz Bruno Rulière, foi determinada também a perda da função pública do delegado.

“O réu é um delegado de polícia, situação que, por si só, demonstra culpabilidade mais elevada. Cuida-se justamente de profissional incumbido de promover as investigações de crimes, sendo um paradoxo atuar no sentido de embaraçá-las”, destacou o juiz.

Demétrio está preso desde 2021, após ser alvo da operação Carta de Corso, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele poderá recorrer da decisão, mas continuará preso.

Como houve desmembramento da ação penal, os outros crimes como organização criminosa, concussões e lavagem de dinheiro ainda serão julgados. Demétrio é apontado como chefe do bando formado por policiais civis de sua confiança, peritos, advogados e comerciantes.

 

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