Por Clayton Castelani
(Folhapress) – O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu em assembleia extraordinária nesta quarta-feira (5) encerrar a greve que afeta parcialmente o transporte sobre trilhos na Grande São Paulo desde a terça-feira (4).
A categoria protestava contra a concessão das linhas e as falhas apresentadas pela Trivia Trens após a empresa assumir as linhas que eram da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Com a decisão tomada em assembleia, o serviço nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade deverá começar a ser retomado integralmente. Eles permanecem em estado de greve, podendo voltar a interromper a operação a qualquer momento mediante nova votação.
O protesto dos trabalhadores envolve as ferrovias privatizadas. As linhas 11, 12 e 13 foram concedidas à empresa Trivia Trens no fim de junho. O serviço ainda permanece sob operação do governo, porém, porque falhas no início da operação privada levaram a Artesp (agência reguladora) a devolver os ramais para a CPTM por 90 dias.

Garantias
A votação do sindicato tinha como principal tema uma proposta da Justiça do Trabalho para encerrar a greve. O desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, vice-presidente do TRT-2, propôs que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) garanta não apenas os empregos dos trabalhadores das vias paralisadas, como o governador já havia prometido, mas também dos funcionários da linha 10-Turquesa, que não foi concedida à iniciativa privada.
Mais cedo, Freitas havia afirmado, em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, que pretende enviar um projeto de lei à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) para a manutenção dos atuais trabalhadores.
A Justiça do Trabalho também aumentou a multa diária para R$ 5 milhões caso 90% dos funcionários das linhas não trabalhassem em horário de pico, e 70% nos demais horários, mas também aceitou cancelar as multas de R$ 400 mil já aplicadas pelos dois dias de greve caso o sindicato aprovasse a sua proposta.
Usuários dos trens metropolitandos encaram há dois dias um cenário de tumulto e longas esperas para chegarem aos seus destinos.
Os ônibus da operação Paese (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência) se mostraram insuficientes e houve empurra-empurra entre passageiros que esperavam para embarcar.