Às vésperas da estreia do Haiti na Copa do Mundo de 2026, a Fifa solicitou alteração em um dos elementos visuais que compõe o uniforme da seleção caribenha por considerá-lo uma manifestação política. A fabricante das camisas, a Saeta, comunicou a decisão nesta quarta-feira (10). O símbolo vetado faz referência à Batalha de Vertières, confronto decisivo que abriu caminho para a independência do Haiti do domínio francês, em 1804.

O projeto foi elaborado em parceria com a Federação Haitiana de Futebol e tinha como objetivo homenagear “o orgulho, a resiliência e o espírito do povo haitiano” e “não tinha a intenção de ser uma declaração política”. A seleção haitiana voltará a disputar uma Copa do Mundo após 52 anos justamente em um dos momentos mais simbólicos de sua história recente.
“Diversos conceitos foram desenvolvidos e aperfeiçoados ao longo de vários meses e submetidos ao processo padrão de aprovação da FIFA”, esclarece a nota da fabricante.
A Saeta afirma que a peça fazia referência aos homens e mulheres que ajudam a construir o futuro do Haiti e que jamais teve a intenção de transmitir uma mensagem partidária ou eleitoral. Ainda assim, durante a análise do material, a Fifa concluiu que “certos elementos visuais poderiam ser interpretados de maneira diferente” de acordo com os regulamentos da entidade para equipamentos esportivos. Por isso, solicitou mudanças no design antes da aprovação final.
“Embora essa interpretação tenha sido diferente da nossa intenção, a Saeta respeitou o processo e implementou os requisitos finais comunicados pela Fifa”, concluiu a empresa.