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Por Igor Mello 

Kaio Brazão, filho do ex-deputado Domingos Brazão, está engajado na campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, Kaio convoca apoiadores de sua família para um adesivaço na manhã desta terça-feira (20) na Taquara, Zona Sudoeste do Rio.

Kaio Brazão é o herdeiro político do clã e, em 2024, tentou sem sucesso se eleger vereador no Rio de Janeiro pelo Republicanos. Desde a derrota na eleição, ele havia parado de postar sobre política em suas redes sociais.

Domingos e seu irmão — o deputado federal cassado Chiquinho Brazão — foram condenados a mais de 76 anos de prisão por serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

As investigações da Polícia Federal mostraram que os irmãos Brazão atuavam junto a milicianos da região de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, em negócios como grilagem de terras. A Taquara, bairro escolhido por Kaio para o ato em favor de Flávio, é uma das áreas sob influência dos grupos paramilitares ligados à família Brazão.

Flávio fez emenda para miliciano ligado a Brazão

Em 2023, Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares para uma ONG a pedido do miliciano Robson Calixto Fonseca, o Peixe, ex-assessor de Domingos Brazão. Peixe foi condenado a 9 anos de prisão por sua participação no plano de assassinato de Marielle Franco.

Conforme revelou a revista piauí, o miliciano Peixe negociou a liberação da emenda diretamente com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora de Flávio Bolsonaro no Senado até hoje. O pedido ocorreu em outubro de 2023. Em mensagens, Peixe escreveu: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar.” Fátima responde poucos minutos depois: “Manda a solicitação meu amigo.”

Dois dias depois, Fátima convidou o miliciano para um evento do mandato de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro — era a entrega de coletes balísticos para a Polícia Militar. Fátima pergunta a Peixe:  “O deputado brazão, vc ainda tá com ele?”. O miliciano responde: “Positivo”. A confirmação motivou outra mensagem da assessora de Flávio Bolsonaro poucos minutos adiante.  “Vc vai tbm e já reforça o pedido com senador.”

O lobby do miliciano com o mandato de Flávio deu certo. Em novembro, o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) — ONG controlada por Peixe na Taquara, justamente o bairro onde o ato de Kaio Brazão ocorre — recebeu quase R$ 200 mil da Emenda Parlamentar nº 92190012-2023, liberada pelo presidenciável.

PL tentou salvar mandato de Chiquinho Brazão

A emenda não foi o único momento em que a relação de proximidade entre Flávio Bolsonaro e a família Brazão ficou demonstrada.

No período em que eram deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio e Domingos Brazão frequentemente votaram juntos. O episódio mais marcante dessa aliança ocorreu em 2008: os dois foram os únicos votos contrários à criação da CPI das Milícias, presidida por Marcelo Freixo, então no PSOL.

Mesmo diante das revelações da PF ligando diretamente os irmãos Brazão ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco, o PL, partido do senador, tentou salvar o mandato de Chiquinho Brazão na Câmara dos Deputados.

Uma articulação do partido tentou impedir a votação do pedido de cassação. Diante da forte repercussão negativa, o caso foi pautado. Ainda assim, o PL se opôs: dos 95 deputados federais que o partido tinha à época, 83 votaram para salvar o mandato do mandante da morte de Marielle.

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