Por Maria Clara Alcântara
No segundo dia do Despertar 2025, o público conseguiu aprender mais sobre o documentário “O Fim de Bolsonaro”, produção do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) que reconstitui o julgamento histórico do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).
O filme reúne provas, depoimentos e análises sobre os crimes que levaram à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e liderança de organização criminosa.
O jornalista Maurício Arruda abriu a sessão relembrando sua chegada ao projeto, ainda durante as lives diárias da pandemia. Ele contou como conheceu Eduardo Moreira, a formação da equipe e a criação do estúdio do ICL. “A gente foi entendendo que não dava mais para fazer jornalismo do jeito tradicional. A construção foi coletiva, uma experiência de comunidade que se materializou em algo muito maior”, disse.
Três camadas de memória
Produzido em tempo recorde, o documentário foi descrito por sua equipe como um “bolo de três camadas”:
- Os jornalistas do ICL narrando os bastidores e a importância do julgamento;
- As imagens históricas, com trechos das sustentações orais, votos dos ministros e reações do plenário;
- A narrativa jornalística, que conecta provas, contexto político e os impactos do processo.
“Era preciso deixar um registro sólido, porque a história poderia se perder. A gente precisava contar como foi ver um ex-presidente condenado por tentativa de golpe, e a importância que isso tem para a democracia brasileira”, afirmou Arruda.
Condenação e simbolismo
O filme recupera momentos marcantes do julgamento, incluindo a leitura da denúncia contra Bolsonaro e os votos dos ministros. Em sua sustentação, a Procuradoria-Geral da República citou provas de que o ex-presidente planejava invalidar o resultado eleitoral de 2022, além de participar de reuniões para tramar a morte de autoridades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro
Alexandre de Moraes
A decisão final, com o voto da ministra Cármen Lúcia, foi celebrada no plenário e lembrada no documentário como o momento que selou o destino político de Bolsonaro. “Cármen Lúcia virou símbolo. Foi ela quem disse que não havia espaço para ditadores no Brasil”, comentou uma das participantes.
Entre lágrimas e aplausos
A plateia do Despertar 2025 se emocionou ao rever as imagens. “O filme é um registro para as próximas gerações, para que ninguém esqueça a violência e a tragédia que foram esses anos”, afirmou a jornalista Márcia Cunha.
Já a repórter Juliana Dal Piva, que cobriu o julgamento, destacou o esforço coletivo: “Foram dias intensos, virando madrugadas para transformar horas de vídeos em um documentário coeso. Foi uma das maiores experiências profissionais da minha vida”.

O futuro da memória
A exibição encerrou com um chamado à continuidade: o ICL já prepara um livro e um podcast sobre o julgamento, além de novas investigações sobre os crimes cometidos pelo bolsonarismo.
“O filme não é um ponto final. É o início de um trabalho de memória que precisa seguir vivo, para que nunca mais se repita”, concluiu Arruda.