Flávio Bolsonaro tenta deixar Brasil rachadinho com golpe do presidente fantasma 

Fugitivo internacional segue na missão de salvar a própria pele e arrumar indulto para Jair Bolsonaro
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Por Lucas Rocha*

Depois de uma fuga cinematográfica com articulação de Javier Milei e apoio de Donald Trump, Flávio Bolsonaro se declarou presidente dos “Estados Unidos do Brazil”. Declarou ser o verdadeiro vencedor das eleições do último domingo, sem qualquer base na realidade. A coletânea de equívocos e absurdos foi tão grande que a postagem não durou muito. Primeiro, mudou o brasão que trazia o nome errado de nossa amada Pátria, depois recuou na autoproclamação e disse ser “líder” do Brasil, desta vez com S.

É certo que é fundamental olhar com seriedade para essa ameaça golpista, mas não deixa de ser anedótico que o candidato derrotado tente emular o que ele mais fez na política brasileira, em especial gabinetes do Congresso Nacional e da tão maltratada Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Com o discurso golpista, ele tenta “rachar” a institucionalidade da presidência da República e assumir um cargo fantasma de uma presidência à distância que não existe. São bastante conhecidas as denúncias de “rachadinha” nos gabinetes de Flávio, assim como já foi amplamente noticiado que o primeiro trabalho na vida dele foi atuar como funcionário fantasma.

É comum que, depois de um trauma, a pessoa desnorteada busque algum consolo em suas origens. Longe de mim querer fazer psicanálise de botequim com um sujeito que não vale meio torresmo, mas todo esse processo revela, mais uma vez, a essência de Flávio: uma figura limitada que se acomodou na institucionalidade do Estado.

Para além de um novo Juan Guaió, que fracassou ao se autodeclarar presidente da Venezuela e terminou por cindir ainda mais o país, Flávio recorre a um expediente que ele conhece muito bem: justamente não dar expediente.

O que esperar de alguém que nunca precisou trabalhar na vida? Flávio quer sombra e água fresca. Quer a ilha de Richarlison, as lanchas orgásticas bancadas por empresários e as festinhas calientes de seu ‘irmaozão’ Daniel Vorcaro. Seria esforço demais para ele ter que, de fato, liderar uma oposição. Como diria Luana Piovani, dá muito trabalho… Não espere de Dionísio os 12 trabalhos de Hércules. Com todo respeito ao mitológico deus do vinho.

Ao embarcar para Miami, Flávio não busca assumir missão nenhuma, apenas salvar sua própria pele. A carta golpista talvez nem tenha como objetivo uma tomada de poder, mas um atrito institucional que possa gerar um salvo-conduto para si e um indulto para Jair.

A verdade é que, desde o início, a candidatura presidencial do primogênito do clã tinha como objetivo tirar o pai da prisão. Ao longo do processo, com as denúncias abertas por Paulo Motoryn no The Intercept e aprofundadas por toda a imprensa, a missão deixou de ser apenas familiar e virou pessoal. Flávio se viu entre o Planalto e Papuda em meio à profusão de escândalos que apareciam em seu nome. Até hoje, inclusive, não deu uma explicação precisa sobre os R$ 134 milhões que foram repassados a ele por Daniel Vorcaro.

Sem o Planalto e sem o foro privilegiado que ostentou por 20 anos, ficou próximo demais do presídio que abrigou seu pai em um passado recente. Para não seguir o mesmo caminho de Jair, se mandou para o exterior e disfarçou a maracutaia com um discurso de perseguido político e chega a se comparar a grandes figuras históricas.

Poderia até ser Charles de Gaulle, mas somente se o militar francês abandonasse a institucionalidade e fundasse um Bureau des crimes, um Escritório do Crime, como fez Adriano da Nóbrega, que foi condecorado por Flávio. Como o republicano não era miliciano, fica muito distante a comparação.

A farsa é tão grande, que nem Donald Trump aguentou e disse que não vai se envolver no plano golpista do agora ex-autoproclamado.

A fuga e a carta deixam ainda mais evidente a natureza golpista do bolsonarismo e abre caminhos para que o presidente Lula reafirme sua liderança e trabalhe para pacificar e reconstruir consensos em um país fragmentado pelo avanço do extremismo bolsonarista e seu neoliberalismo autoritário.

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