Por Francisco Lima Neto
(Folhapress) – Alguns bairros de São Paulo estão sem coleta de lixo desde segunda-feira (27), em protesto contra a morte do gari Diêgo Rafael da Silva, 19, que foi atropelado por um motorista embriagado, na Barra Funda, na zona oeste, na noite de domingo (26).
Inicialmente, a falta de coleta atinge parte das regiões norte e oeste da capital paulista.
“A Loga, concessionária responsável pela coleta e gestão de resíduos sólidos domiciliares e de saúde na região noroeste da cidade de São Paulo, informa que, devido à comoção gerada pelo falecimento do colaborador Diego Rafael da Silva, as equipes de coleta paralisaram as atividades de coleta comum e de materiais recicláveis nas vias atendidas pela frequência de coleta da segunda-feira (27), no período noturno”, segundo a empresa.
A concessionária afirmou que os serviços impactados serão retomados gradualmente e devem ser normalizados até esta quarta-feira (29).

“A Loga agradece a compreensão dos munícipes neste momento de luto e solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho do colaborador”, destacou a companhia.
A empresa atende os bairros como Perus, Jaraguá, Pirituba, Freguesia do Ó, Brasilândia, Santana, Mooca, Sé, Pinheiros, entre outros, e afirmou que nem todas as regiões atendidas pela concessionária foram afetadas pela paralisação.
Diêgo foi atropelado na rua do Bosque, por volta de 22h40, na altura do número 980, na zona oeste.
O caminhão da coleta estava parado enquanto os garis recolhiam lixos da caçamba. Diêgo estava do lado esquerdo da parte traseira do caminhão quando foi atingido em cheio pelo carro dirigido pelo empresário chinês Guofang Huang, 53.
Com o impacto, Diêgo foi arremessado para a parte da frente do caminhão. Ele trabalhava na coleta de lixo na cidade havia dois meses, desde maio.
O coletor era casado, deixa uma filha de 1 ano e 3 meses e a esposa grávida.
Conforme o boletim de ocorrência, Huang não parou e fugiu do local. Um motoboy que viu o atropelamento o seguiu, e o empresário retornou ao endereço tempo depois. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que aferiu 0,73 mg/l de álcool por litro de ar alveolar -acima do limite de 0,34 mg/l, considerado crime.
Silva foi socorrido, mas morreu no hospital.
Huang passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva, sem prazo.
A defesa do empresário, composta pelos advogados Lucas Quintela e Jéssica Narjara Camillis, afirmou que a Constituição Federal assegura a toda pessoa o direito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, garantias que devem ser respeitadas durante toda a persecução penal.
“Por respeito à investigação, aos familiares da vítima e ao próprio andamento do processo, a defesa não fará comentários sobre o mérito dos fatos neste momento, reservando-se a manifestar-se exclusivamente perante as autoridades competentes e, oportunamente, quando houver acesso integral aos elementos da investigação”, finalizou