Por Igor Mello
O general Mário Fernandes, apontado pela PGR (Procuradoria Geral da República) como o responsável por elaborar o plano Punhal Verde e Amarelo, encabeça a lista dos próximos nomes que podem virar réus no STF (Supremo Tribunal Federal) por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Também estão na mira os envolvidos nos bloqueios da PRF (Polícia Rodoviária Federal) para impedir eleitores do PT de votarem no segundo turno da eleição de 2022.
O julgamento da admissibilidade da denúncia do chamado núcleo 2 da PGR está marcado para os dias 29 e 30 de abril. Caso a denúncia seja aceita, os seis listados viraram réus, juntando-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outras sete pessoas que integravam o chamado núcleo crucial da organização criminosa.
Fernandes elaborou e imprimiu no Palácio do Planalto um documento detalhando a execução do plano, que previa a “neutralização” de Lula, presidente eleito à época, Geraldo Alckmin, seu vice, e do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Logo depois de imprimir o plano, ele foi ao Palácio da Alvorada, onde estava Bolsonaro. Em conversas obtidas pela Polícia Federal com autorização da Justiça, o general afirma ter tido anuência de Bolsonaro para ações golpistas.
Também fazem parte desse grupo, além de Fernandes, o ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques, e a delegada da PF Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça na gestão de Anderson Torres. Os dois são apontados nas investigações como os principais responsáveis pelas blitzes realizadas em pontos com grande concentração de votos de Lula, especialmente no Nordeste. Torres se tornou réu nesta quarta-feira (26).
Autor de minuta de golpe também está na lista
Outro nome importante do núcleo 2 é Filipe Martins, que atuava como assessor de Bolsonaro para assuntos internacionais. De acordo com a Polícia Federal, ele fazia parte do núcleo jurídico do golpe de Estado e foi um dos responsáveis por elaborar uma das versões da minuta do golpe.
A PF ainda descobriu que o próprio Martins foi incumbido por Bolsonaro para fazer a leitura da minuta para os comandantes das três forças, durante uma tentativa de convencê-los a aderir ao golpe. O texto previa uma intervenção no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para realizar novas eleições e a prisão de autoridades.
Também faz parte do núcleo Marcelo Costa Câmara, coronel do Exército e assessor pessoal de Bolsonaro, que se envolveu no monitoramento de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes.
O sexto e último nome na lista é o do delegado da PF Fernando de Sousa Oliveira, secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal durante os ataques de 8 de janeiro de 2023.
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