A GUERRA SE AMPLIA

Irã diz que não negocia e país tem 555 mortos
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A guerra no Oriente Médio se amplia, com ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano, e uma ofensiva por parte do Irã em toda a região, inclusive com a derrubada de jatos dos EUA.

Teerã ainda anunciou que sua operação teve como alvo o escritório de Benjamin Netanyahu, em Israel, assim como locais dos comandantes do país. Tel Aviv não prestou qualquer esclarecimento sobre esse suposto ataque.

Horas depois, Netanyahu anunciou uma nova onda de disparos de mísseis contra Teerã e explicou que o “coração” da capital teria sido o alvo da operação.

A intensificação do conflito ocorre depois de o governo iraniano ter desmentido a versão de Donald Trump de que as novas autoridades em Teerã teriam tentado negociar uma saída diplomática para a crise.

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Ataque militar a Teerã em 2 de março de 2026. (Foto: Atta Kenare/ AFP)

Segundo o Crescente Vermelho, 555 pessoas morreram no Irã desde que EUA e Israel iniciaram seus ataques, no sábado.

A crise fez o preço do petróleo explodir, obrigou empresas aéreas a cancelar mais de 1,2 mil voos pelo Oriente Médio e colocou o mundo em tensão. Pela primeira vez, locais de produção de petróleo parecem ter sido colocados na lista de alvos da retaliação iraniana – tanto no Catar como na Arábia Saudita -, além de aeroportos, hotéis de luxo e outros ativos americanos na região.

Diplomatas apontam que uma das interpretações é de que o Irã está mandando uma mensagem aos países do Golfo de que o custo de uma aliança com os EUA será elevado Por anos, eles mantiveram uma imagem de locais seguros. Mas as bombas nos últimos dias colocaram essa premissa em questão.

Num comunicado conjunto, governos do Golfo e os EUA se uniram para alertar sobre a ofensiva de Teerã. Segundo eles, as ações do Irã na região representam uma “escalada perigosa”, que ameaça a estabilidade no Oriente Médio.

“Atacar civis e países não combatentes é um comportamento imprudente que mina a estabilidade”, diz o comunicado emitido por Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e EUA. No comunicado, eles reafirmam o “direito à autodefesa”.

Irã não negocia e desmente Trump

Nesta segunda-feira, desafiando EUA e Israel, o governo do Irã lançou mais uma onda de ataques contra diversos locais na região, em resposta à morte de mais de 40 comandantes do país e do líder Ali Khamenei.

Trump, por sua vez, advertiu no domingo que as operações no Irã continuarão “até que todos os nossos objetivos sejam alcançados”. Ele ainda fez um apelo: “Mais uma vez, exorto a Guarda Revolucionária, a polícia militar iraniana, a depor as armas e receber imunidade total ou enfrentar morte certa”.

 Ali Ardashir Larijani (nasceu 3 de Junho de 1958 em An-Najaf, Iraque) é um político, filósofo iraniano e atual presidente do Parlamento do Irã.
Ali Larijani. (Foto: Mostafameraji/ WikiMedia Commons)

Desmentindo Trump de que haveria uma ação de Teerã por buscar um acordo, o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, anunciou nesta segunda-feira que seu país “não negociará com os Estados Unidos”. Larijani é o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e foi um dos principais conselheiros do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado.

Uma das tentativas do regime é demonstrar que a morte de mais de 40 comandantes do país não irá afetar a estrutura de poder e que transições já começaram a ser feitas.

No total, o governo dos EUA afirmou que, junto com Israel, mais de mil alvos foram atingidos pela ofensiva contra o Irã que começou no sábado. O número de mortos deverá aumentar após o segundo dia de bombardeios. A mídia estatal iraniana informou que 165 pessoas tiveram suas mortes confirmadas em um ataque a bomba contra uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do país, no sábado. Na ONU, o governo iraniano acusou Israel e os EUA de atacar alvos civis, e não apenas militares.

Complexo nuclear atingido

O extenso complexo nuclear iraniano de Natanz foi atingido durante operações militares conjuntas dos EUA e de Israel contra a República Islâmica, afirmou nesta segunda-feira o embaixador do Irã junto à agência nuclear da ONU.

“Ontem, eles atacaram novamente as instalações nucleares pacíficas e protegidas do Irã”, disse Reza Najafi a jornalistas em uma reunião do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo ele, o alvo foi Natanz.

Líbano sob ataque

Mas é no Líbano que um novo capítulo da guerra parece ganhar força. O Hezbollah atacou a cidade de Haifa, em Israel, e alegou que se tratava de uma ação para vingar a morte dos aliados iranianos. Como resposta, ataques israelenses contra Beirute e o sul do Líbano mataram 31 pessoas e feriram 149, segundo o Ministério da Saúde libanês.

Eyal Zamir – Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel
Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel. (Foto: Ministério da Defesa de Israel)

O exército israelense explicou que a campanha ofensiva contra o Hezbollah durará vários dias. Segundo o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, foram ordenadas a evacuação de pelo menos 50 cidades libanesas no sul do país. “Iniciamos uma campanha ofensiva contra o Hezbollah. Não estamos mais na defensiva, agora passamos ao ataque”, afirmou. “Precisamos nos preparar para vários dias de combate, muitos mesmo. Precisamos de uma forte prontidão defensiva e de um preparo ofensivo contínuo, em ondas.”

De acordo com Israel, não se exclui nem mesmo uma operação de soldados no território libanês. 100 mil reservistas teriam sido mobilizados, com dezenas de batalhões.

Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, condenou o que chamou de ataques aéreos israelenses “brutais” contra o sul do Líbano e os subúrbios ao sul de Beirute.

Ele denunciou ainda o silêncio daqueles que alegam defender o “estado de direito” e os “direitos humanos” diante dos ataques. “Vergonhoso”, afirmou.

Prédio bombardeado no Líbano. Agência Efe/Folhapress
Prédio bombardeado no Líbano. (Foto: Agência Efe/Folhapress)

Explosões se espalham; Sauditas fecham refinaria

No Bahrein, Manama, Doha e em Dubai, explosões voltaram a ser registradas, como parte da estratégia de Teerã de responder aos ataques que sofreu. O aeroporto de Erbil, no Iraque, também foi alvo de mísseis. O local é usado como base para soldados dos EUA.

Arábia Saudita afirma ter interceptado drones que tentavam atacar uma refinaria de petróleo. Ainda que o local tenha sido protegido, destroços provocaram incêndio na refinaria de Ras Tanura, uma das maiores produtoras e exportadoras de petróleo do mundo. Ninguém ficou ferido, segundo o governo saudita. Mas o local foi temporariamente fechado.

Em Israel, nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas depois de um ataque de mísseis iranianos na cidade de Beit Shemesh. Na noite de domingo para segunda-feira, uma nova ofensiva foi registrada e a maioria dos mísseis foi interceptada. Um deles, porém, caiu em uma rua de Jerusalém, deixando diversas pessoas feridas.

Jatos americanos derrubado no Kuwait

Ministério da Defesa do Kuwait ainda anunciou  que “vários” aviões de guerra dos EUA caíram no país, mas toda a tripulação sobreviveu.

O Comando Central dos EUA informou que, de fato, três de seus caças F-15, “em apoio à Operação Epic Fury” — a operação americana contra o Irã — “caíram sobre o Kuwait”. Mas alegou que isso ocorreu “devido a um aparente incidente de fogo amigo”. Ou seja, um disparo realizado por parte dos próprios sistemas de defesa do país árabe.  Os seis tripulantes ejetaram em segurança e foram resgatados.

Ainda assim, segundo o governo do Irã, uma base americana foi alvo da ofensiva. Uma fumaça negra subia na cidade do Kuwait, perto da embaixada dos EUA. “Não venham à embaixada”, diz a orientação publicada no site da representação diplomática americana no país. “Abriguem-se em suas residências, no andar mais baixo disponível e longe das janelas. Não saiam”, pediu o governo dos EUA aos cidadãos americanos.

A orientação também insta os cidadãos americanos no Kuwait a “permanecerem em suas casas, revisarem seus planos de segurança em caso de ataque e ficarem alertas para possíveis novos ataques no futuro”.

Costa de Omã sob ataque

Nesta segunda-feira, o Centro de Segurança Marítima de Omã informou que o petroleiro MKD VYOM foi atacado por uma embarcação carregada de explosivos enquanto navegava a 52 milhas náuticas da costa da província de Mascate.

Pelo menos um tripulante morreu após o ataque, que resultou em um incêndio e uma explosão na casa de máquinas, segundo o comunicado divulgado pela agência de notícias X. O comunicado acrescentou que outros 21 tripulantes foram evacuados.

Bases britânicas atacadas no Bahrein e Chipre

A Autoridade de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que uma embarcação foi atingida por dois projéteis desconhecidos no Porto do Bahrein.

O impacto dos projéteis causou um incêndio a bordo. “O incêndio foi extinto e a embarcação permanece no porto. Todos os membros da tripulação estão em segurança e evacuaram a embarcação”, acrescentou.

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Agentes de segurança controlam um portão na base aérea britânica de Akrotiri após dois supostos ataques com drones perto de Limassol em 2 de março de 2026. A base soberana britânica no Chipre está sendo evacuada após o soar das sirenes, informou um correspondente da AFP. (Foto: AFP)

No Chipre, bases britânicas também foram atacadas por drones iranianos, ainda que Londres tenha explicado que se trata apenas de danos mínimos. O governo local colocou as autoridades em alerta, fechando escolas e evacuando pessoas onde necessário.

Em um pronunciamento à nação no início desta segunda-feira, o presidente Nikos Christodoulides afirmou que a segurança do país é a principal preocupação do governo.

“Estamos localizados em uma região de particular instabilidade geopolítica, com muitos desafios e problemas, e atravessando atualmente uma crise sem precedentes”, disse. “Estamos fazendo o que precisa ser feito, tendo a segurança do nosso país e dos nossos cidadãos como nossa maior prioridade”, declarou.

Numa mudança significativa de sua postura diante do conflito, o governo do Reino Unido anunciou que passou a permitir que os EUA usem suas bases na região.

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