Sistema de defesa da OTAN derruba míssil iraniano e guerra se amplia

Governo de Benjamin Netanyahu amplia ataques contra Irã e Líbano; conflito já fez mais de mil mortos
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Em seu quinto dia, a guerra no Oriente Médio se intensifica e abala as rotas globais de energia e abastecimento.

O Ministério da Defesa turco anunciou que usou um sistema de defesa da OTAN para interceptar um míssil iraniano que se dirigia para o espaço aéreo da Turquia.

“Um míssil balístico, lançado do Irã e detectado em direção ao espaço aéreo turco após cruzar o espaço aéreo iraquiano e sírio, foi interceptado e neutralizado em tempo hábil por elementos de defesa aérea e antimíssil da OTAN posicionados no Mediterrâneo Oriental”, afirmou Ancara.

“Foi determinado que o artefato que caiu no distrito de Dörtyol, na província de Hatay, pertencia a uma munição de defesa aérea que interceptou a ameaça no ar. Não houve vítimas ou feridos no incidente”, explicou.

De acordo com o governo turco, “todas as medidas tomadas para defender nosso território e espaço aéreo serão tomadas com firmeza e sem hesitação”. “Lembramos que nos reservamos o direito de responder a qualquer atitude hostil contra o nosso país”, destacou.

“Instamos todas as partes a se absterem de ações que possam agravar ainda mais o conflito na região. Nesse contexto, continuaremos a consultar a OTAN e nossos demais aliados”, completou.

O envolvimento de um sistema da OTAN ocorre num momento em que Reino Unido e França ampliam suas forças navais no Chipre, país que faz parte da UE e que foi alvo de ataques por conta da existência de uma base militar britânica.

Instantes depois, a OTAN “condenou” o ataque do Irã. Segundo a porta-voz da Aliança, Allison Hart, “a OTAN se solidariza firmemente com todos os seus aliados, incluindo a Turquia, enquanto o Irã continua seus ataques indiscriminados em toda a região”.

“Nossa postura de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, inclusive no que diz respeito à defesa aérea e antimíssil”, afirmou.

Nesta noite, EUA e Israel ampliaram seus ataques a todo o território iraniano, enquanto Teerã voltou a disparar mais de 40 mísseis e 230 drones contra alvos americanos e israelenses pela região.

Um levantamento realizado pela Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, afirma que 1.097 civis foram mortos no Irã desde 28 de fevereiro. Desse total, 181 eram crianças menores de 10 anos. O número de civis feridos chegou a 5.402.

A agência ainda relata que houve pelo menos 104 ataques somente nas últimas 24 horas. Os ataques atingiram bases militares, centros médicos e áreas residenciais.

O governo americano indica que a missão já envolve mais de 50 mil soldados, 200 jatos e a maior operação no Oriente Médio na história recente. Trump insiste que já destruiu 17 navios iranianos e que 2 mil ataques foram concluídos em apenas cinco dias.

Israel diz que novo líder iraniano é alvo legítimo de assassinato

Mas não existem sinais, pelo menos por enquanto, de que o regime esteja prestes a ceder. Nesta quarta-feira, a Assembleia de Peritos do Irã inicia o que pode ser a escolha do sucessor de Ali Khamenei, o líder supremo do país.

Diante dos ataques contra os prédios onde essa eleição é realizada, o governo do Irã indicou que os encontros estão ocorrendo de forma virtual entre os mais de 80 religiosos aptos a votar pelo novo aiatolá.

O processo de escolha ocorre num momento em que o país se prepara para três dias de funerais, em homenagem a Khamenei, morto no sábado.

Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz
Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz

Mas o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou na quarta-feira assassinar qualquer líder iraniano escolhido para suceder o líder supremo. “Qualquer líder escolhido pelo regime terrorista iraniano para continuar liderando o plano de destruição de Israel, ameaçando os Estados Unidos, o mundo livre e os países da região, e reprimindo o povo iraniano, será um alvo certo para assassinato, não importa seu nome ou onde se esconda”, disse.

Num anúncio feito nesta manhã, Israel afirmou que atingiu dezenas de alvos militares no Irã e que uma “ampla onda de ataques” contra alvos do governo em Teerã, incluindo o gabinete presidencial.

Avichay Adraee, porta-voz em árabe das Forças de Defesa de Israel, explicou que os ataques tiveram como alvo o quartel-general da Basij — uma força paramilitar ligada à Guarda Revolucionária do Irã — além de plataformas de lançamento de mísseis e sistemas de defesa, bem como “a diretoria de suprimentos e logística afiliada às forças terrestres do regime”.

Ele explicou ainda que Israel continuará a “intensificar seus ataques” à infraestrutura do regime iraniano.

Além dos ataques contra o Irã, o governo de Israel anunciou uma nova etapa da ofensiva contra o Hezbollah, no Líbano.

O exército israelense afirma ter iniciado ataques contra a infraestrutura do grupo em Beirute. Mortos já foram registrados em diferentes cidades do país nas últimas horas e mais de 80 localidades foram ordenadas a serem evacuadas.

A resposta do Irã continua, desmentindo a declaração de Trump de que “tudo” já teria sido destruído no país. Teerã garante que não irá negociar neste momento com os americanos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Trump “traiu a diplomacia” ao lançar ataques em meio às negociações.

“Quando negociações nucleares complexas são tratadas como uma transação imobiliária, e quando grandes mentiras obscurecem a realidade, expectativas irreais jamais serão atendidas. O resultado? Bombardear a mesa de negociações por puro despeito. O Sr. Trump traiu a diplomacia e os americanos que o elegeram”, disse.

A Guarda Revolucionária afirmou na quarta-feira ter lançado cerca de 40 mísseis contra alvos americanos e israelenses no quinto dia de guerra no Oriente Médio. “Há algumas horas, a 17ª onda da Operação Promessa Honesta 4 foi realizada com o lançamento de 40 mísseis pelas forças aeroespaciais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, em direção a alvos americanos e sionistas”, dizia um comunicado divulgado pela TV estatal.

Os mísseis lançados do Irã na madrugada de quarta-feira acionaram sirenes de alerta aéreo em grande parte de Israel, com os militares afirmando que estavam “operando para interceptar a ameaça”. A ordem para buscar abrigo abrangia Jerusalém, Tel Aviv e outras áreas do país.

A Guarda Revolucionária Islâmica ainda afirma ter disparado 230 drones contra diversas instalações que abrigam tropas americanas no Oriente Médio, incluindo uma base em Erbil, no Iraque, e a Base Aérea Ali Al Salem e o Campo Arifjan, no Kuwait.

A Guarda declarou que os ataques estão entre seus “primeiros passos decisivos” na guerra.

O governo da Arábia Saudita, de fato, confirmou que interceptou dois ataques do Irã nesta noite, enquanto o Kuwait confirmou a morte de uma garota de onze anos.

Um consulado dos EUA em Dubai foi atingido e as imagens com chamas revelavam a dificuldade do governo Trump em manter sua narrativa de que controla o espaço aéreo iraniano.

O Catar confirmou que foi alvo de dois mísseis balísticos iranianos. Um desses mísseis foi interceptado pelos sistemas de defesa aérea do Catar, e o outro atingiu a base aérea americana de Al Udaid, a maior base americana na região. Não houve vítimas, segundo o Catar.

Impacto global

Ainda que existam dúvidas sobre a declaração do Irã de ter, de fato, fechado o Estreito de Ormuz, os mercados alertam que a guerra ameaça desestabilizar as rotas globais e o abastecimento de dezenas de setores.

Cerca de 3.200 navios, ou cerca de 4% da tonelagem global, estariam parados neste momento no Golfo Pérsico. Outros 500 navios, ou 1% da tonelagem global, estão atualmente “aguardando” fora do Golfo, em portos ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos e de Omã.

Outra constatação é de que, em seu quinto dia, a guerra abala o mercado mundial. As ações nas bolsas asiáticas despencaram.

A Ásia depende fortemente das importações de energia transportadas pelo Estreito de Ormuz. As maiores perdas foram registradas em Seul, onde a sessão encerrou com o mercado despencando 12%, a maior queda já registrada.

Em dois dias, o índice de referência perdeu mais de 18% do seu valor, enquanto a moeda caiu para a mínima em 17 anos. O Nikkei do Japão caiu 3,9% e as ações de Taiwan recuaram 4,3%.

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