Henrique Vieira repreende bolsonarista após discurso violento: ‘Covardia para sustentar’

Comissão dominada por militares e delegados vira palco de ataque ao deputado do PSOL durante debate sobre Marighella
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Por Laura Kotscho

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados foi palco de um ataque violento nesta terça-feira (15). Durante um debate sobre o filme Marighella, dirigido por Wagner Moura, o deputado Sargento Fahur (PSD-PR) afirmou: “Se tiver um filme em que o Pastor Henrique apanhe, eu quero ser o policial que bate. Mas é só filme”.

O comentário causou indignação imediata do deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), que além de pastor evangélico, é formado em teatro e atuou no longa interpretando um frei dominicano que resistiu à ditadura militar.

“A fala de vossa excelência como deputado é absurda, como presidente, neste momento, mais absurda ainda. Isso é violento, isso é ameaçador, isso é desrespeitoso”, respondeu Henrique.

Henrique Vieira ainda criticou a postura de parlamentares de extrema direita: “Uma característica da extrema direita é valentia pra provocar e covardia pra sustentar, tanto é que, quando começa a ser responsabilizada juridicamente, não banca se defender e foge do país”.

Fahur tentou amenizar, dizendo que “é só um filme”, mas o deputado do PSOL reagiu: “Falar que é filme é amenizar o absurdo. Que eu posso tratar como ódio e ameaça direta à minha integridade física”.

 

Na sequência, defendeu sua participação no filme e relembrou o contexto histórico retratado na obra. “Tenho muito orgulho de ter representado um frei dominicano que foi torturado na ditadura que vossas excelências glorificam e exaltam. Porque os heróis de vossas excelências são torturadores”, afirmou.

O ataque ocorreu em uma comissão dominada por militares e agentes da segurança pública: entre seus membros, há 1 capitão, 2 coronéis, 1 general, 8 delegados e 3 sargentos. O ambiente é frequentemente marcado por discursos de ódio e de exaltação à ditadura militar.

Deputado bolsonarista diz que gostaria de “bater” em Pastor Henrique em cena de filme
Deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) / Foto: Mário Agra/Agência Câmara

Nas redes sociais, Henrique Vieira reforçou sua posição: “Sou discípulo de um torturado, não de um torturador. Não estou do lado de quem glorifica a violência e ataca a democracia!”

O filme Marighella (2021), dirigido por Wagner Moura, retrata a vida do guerrilheiro Carlos Marighella, que combateu a ditadura militar instaurada no Brasil após o golpe de 1964. A obra tem sido alvo frequente de críticas por parte de parlamentares de direita, que acusam o filme de “romantizar terroristas” , um argumento rebatido por setores progressistas que veem na narrativa uma forma legítima de memória e resistência democrática.

Polêmicas envolvendo Fahur

Não é a primeira vez que o deputado Sargento Fahur se envolve em declarações polêmicas e agressivas. Em março de 2019, durante sessão na Comissão de Segurança, Fahur declarou ser “a favor da pena de morte” e chegou a afirmar que o líder do PCC “deveria estar morto e executado pelo Estado, com enforcamento em praça pública”.

Em outra ocasião, o Sargento afirmou que criminoso precisa ser tratado “a ferro e fogo” e que gostaria de “cortar a cabeça de bandidos”. O deputado afirmou, inclusive, que já matou “em legítima defesa uns doze vagabundos”.

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