Imprensa banaliza baixarias de Flávio Bolsonaro e depois cobra ‘propostas’ no debate

Como a imprensa permitiu que o patético Flávio Bolsonaro fosse ganhando tanto espaço até chegar a esse ponto?
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Chega a ser cômica a lamentação de quase toda a imprensa pela falta de propostas para o país no debate da Band, entre os candidatos a presidente Lula e Flávio Bolsonaro. Nos últimos anos, o noticiário dos principais veículos normalizou todas as barbaridades ditas e feitas pelos bolsonaristas. Agora, editores e comentaristas se dizem surpresos com a ausência de discussão sobre os problemas estruturais do Brasil, como se não tivessem colaborado para a baixaria.

Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, os demais integrantes do clã e os políticos que os apoiam sempre basearam sua estratégia de ação em uma viga-mestra: a mentira. Não aquela lorota que tradicionalmente todo político sempre contava para aumentar suas qualidades e minimizar seus defeitos. Não. Para os Bolsonaros, a mentira é ferramenta de trabalho.

Desde 2018, quando essa família se tornou protagonista na política, a imprensa tem falhado miseravelmente em mostrar ao público o quão mentirosa ela é. Não é difícil constatar que existe um espaço enorme nos grandes sites, jornais e emissoras para propagar a invenções dessa gente — batizei de editoria “diz Flávio”. Quase sempre as falsidades disparadas pelo filho 01 ficam sem a devida contestação — algo que é, ou deveria ser, obrigação do jornalismo.

Por conta disso, a mentira tornou-se comum.

Outro sustentáculo do bolsonarismo é a truculência, a disseminação do ódio, a oposição à civilidade, o culto à morte. Mesmo depois de todos comentários racistas, machistas, homofóbicos e agressivos que o clã e seus apoiadores distribuíram nos últimos anos, Flávio resolveu usar sua fala mansa para apresentar-se como o candidato moderado que nunca foi. Apesar disso e das conhecidas ligações do candidato do PL com milicianos, assassinos e criminosos de vários tipos, o jornalismo hegemônico o trata como se fosse um gentleman.

Por conta disso, a violência da extrema direita foi naturalizada.

Para completar, no tripé do bolsonarismo temos ainda a conhecida aversão às instituições democráticas. Desde que surgiu na política, Jair Bolsonaro louva a ditadura militar, na votação do impeachment de Dilma invocou o facínora Brilhante Ustra e na Presidência da República comandou uma tentativa de golpe de Estado. Flávio segue a mesma linhagem golpista, agora em uma versão mais branda, e, portanto, mais perigosa.

A atuação do candidato da família Bolsonaro no movimento que culminou no 8 de Janeiro é indiscutível. Mas não só: continua atentando contra a democracia brasileira ao pedir ao presidente dos Estados Unidos que tome conta do Brasil. Mesmo assim, é entrevistado a todo momento fazendo juras às instituições republicanas sem que seja confrontado pelos jornalistas com sua prática na vida real. É a condescendência travestida de imparcialidade.

Por conta disso, o golpismo tornou-se rotina.

Era esse personagem, integrante do grupo que jogou na lama a politica nacional, que estava em um dos púlpitos do debate da Band.

No outro, um estadista com décadas de serviços prestados à democracia, que conviveu, debateu e trabalhou com alguns dos principais políticos da história recente do país. Alguém que respeita tanto as instituições que submeteu-se a ficar preso 580 dias até provar que foi vítima de injustiça. Um homem que é respeitado e ouvido pelos maiores líderes mundiais.

Como a imprensa permitiu que o patético Flávio Bolsonaro fosse ganhando tanto espaço até chegar a esse ponto, de participar de um debate presidencial com alguém da estatura monumental de Lula?

Não foram “os candidatos” que baixaram o nível do debate. Foi um só, com a ajuda do jornalismo da grande mídia.

Para lançar mão da anedota clichê: debater com Flávio Bolsonaro é o mesmo que jogar xadrez com um pombo: ele faz cocô no tabuleiro, derruba as peças e sai voando cantando vitória.

A imprensa falhou muito — e continua falhando — em identificar para o público quem é o enxadrista e quem é o pombo.

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