Por Cleber Lourenço
O que se viu ontem no Congresso Nacional foi mais que uma simples manobra de obstrução: foi um ato deliberado de guerra contra a democracia e contra o interesse do povo brasileiro. Em um movimento coordenado e calculado, parlamentares bolsonaristas invadiram e tomaram as mesas diretoras da Câmara e do Senado, bloqueando simbolicamente o comando das Casas Legislativas e transformando-o em um palco de chantagem política. A exigência, feita sem disfarces, é criminosa: só devolvem o controle se a anistia aos golpistas do 8 de janeiro for pautada e aprovada.
Isso não é oposição legítima, é sabotagem direta ao país e ao bolso de milhões de brasileiros. Esses políticos atuam como porta-vozes de um projeto de impunidade, representando apenas um grupo derrotado nas urnas que tenta reescrever a história e escapar de responsabilidades. Ao fazerem do Parlamento uma barricada, abandonam deliberadamente pautas urgentes e travam iniciativas que poderiam aliviar a carga tributária, ampliar a renda e gerar empregos para a população.
Os números do Datafolha não deixam margem para dúvida: 61% dos brasileiros não votariam em candidatos que defendem a anistia; apenas 19% dizem que certamente votariam em quem apoia a medida; 14% responderam “talvez” e 6% não souberam opinar. Entre eleitores de centro, 63% rejeitam a proposta; entre os de esquerda, 79%; e até entre os de direita, 39% são contra. Esses dados expõem uma pauta de altíssimo custo eleitoral e baixíssima adesão social, desmontando qualquer narrativa de que haveria respaldo popular para esse perdão coletivo.
Ainda assim, seus defensores insistem no argumento da “pacificação do país”, que não passa de uma mentira deslavada. Não há país a pacificar porque não existe conflito real ou comoção social exigindo o perdão de criminosos. O que se vende como pacificação é, na verdade, um salvo-conduto para que aliados escapem da Justiça, com o preço pago pela sociedade na forma de paralisia legislativa e prejuízo econômico.
Enquanto o país enfrenta desafios urgentes, a extrema direita opta por sequestrar o Congresso e condicionar o avanço de medidas fundamentais — como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda — à aprovação de uma anistia rejeitada pela maioria. É a reedição do 8 de janeiro dentro do plenário: criar caos, sabotar as instituições e tentar impor a falsa narrativa de que apenas eles têm legitimidade para governar.
Essa estratégia não é nova. Trata-se do mesmo roteiro de ataques às instituições que se repetiu nas ruas, agora adaptado ao cenário legislativo. Primeiro, cria-se a crise; depois, exige-se concessão em troca da “normalidade”. Mas essa normalidade não serve ao país, serve apenas a quem deseja blindar criminosos e enfraquecer a democracia.
O Congresso Nacional não é trincheira da família Bolsonaro nem refúgio para projetos autoritários. É a casa do povo brasileiro, que já se manifestou claramente contra a anistia para golpistas. Cabe às instituições responderem com firmeza e urgência, restabelecendo a ordem e provando que nem nas ruas nem nos plenários a democracia será refém de chantagistas que tentam trocar o futuro do Brasil por sua impunidade.
A extrema direita invadiu o Congresso em janeiro de 2023 para tomar o poder, não conseguiram. Agora tentam invadir novamente em agosto de 2025.