Irã denuncia crime de guerra em escola; ONU diz que iranianos vivem entre repressão e bombas

Teerã insiste que EUA e Israel precisam ser responsabilizados pela morte de mais de 160 crianças
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O governo do Irã denunciou Israel e EUA por crimes de guerra, ao descrever na ONU o ataque que matou mais de 160 crianças numa escola do país, no início da guerra. A acusação foi apresentada nesta segunda-feira pelo embaixador do Irã nas Nações Unidas, Ali Bahreini. Segundo ele, o ataque foi deliberado e a não existia motivo para confundir a escola com alvos militares.

Nos EUA, Donald Trump vem insistindo em rejeitar qualquer responsabilidade pela morte das crianças, ainda que investigações preliminares realizadas dentro da própria estrutura do estado revelem que os mísseis teriam sido disparados pelos EUA.

Para o embaixador Ali Bahreini, os governos de Israel e dos EUA precisam ser responsabilizados pelos atos. “Se não forem agora, com esse ataque, quando serão?” questionou.

Segundo ele, 1,3 mil civis iranianos já morreram desde o início dos ataques, que ainda deixaram 7 mil feridos.

Iranianos presos entre bombas dos EUA e repressão de Teerã

Para os representantes da ONU, a população do Irã vive hoje entre as bombas dos EUA e a repressão do governo de Teerã. Para a entidade, uma das preocupações dos relatores da tem sido o incremento da operações contra qualquer dissidência dentro do Irã.

“Em 28 de fevereiro, os EUA e Israel lançaram uma devastadora campanha aérea contra o Irã, supostamente visando instalações militares e nucleares. Em quase três semanas, esses ataques resultaram em um número crescente de relatos de vítimas civis, incluindo crianças”, disse Sara Hossein, presidente da Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre o Irã, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Ao apresentar o relatório, Hossein destacou a situação difícil do povo iraniano comum, “preso entre uma campanha militar em larga escala de dois países, os EUA e Israel, e a repressão contínua por parte de seu próprio governo no Irã”.

“Áreas residenciais, vários depósitos de petróleo e uma usina de dessalinização foram atingidas, danificadas e destruídas, causando graves danos aos civis”, insistiu a especialista independente em direitos humanos.

Sobre a escola em Minab, no sul do Irã, a relatora criticou “declarações públicas de autoridades americanas sugerindo que as ‘regras de engajamento’ estabelecidas há muito tempo não se aplicam a este conflito”.

Além do ataque à escola de Minab, 1.000 civis teriam sido mortos, “com hospitais e Patrimônios Mundiais destruídos”, afirmou a Relatora Especial do Conselho para o Irã, Mai Sato.

“Ataques à infraestrutura petrolífera causaram consequências ambientais tóxicas em um país que já enfrentava grave escassez de água”, continuou ela.

Ecoando as preocupações sobre a deterioração da crise humanitária dentro do Irã desde o início da guerra, a relatora especial observou que três milhões de pessoas estão agora deslocadas dentro do país, enquanto “a alegada ausência de sirenes de ataque aéreo e abrigos antibombas funcionais em muitas áreas urbanas” aumentou as preocupações com a proteção básica dos civis durante as hostilidades.

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