Jesus não está para jogo

Crítica à mercantilização da liderança religiosa no cenário eleitoral brasileiro
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Independentemente de quem ganhe no próximo domingo, 25 de outubro, Lula ou Flávio Bolsonaro, o nome genérico “Igreja Evangélica” perde novamente.

Nas últimas eleições, o desgaste foi enorme; nesta, o fenômeno se repete com lamentável regularidade.

Os pastores e líderes eclesiásticos que entraram em cena para exercer influência eleitoral, calibrando acordos, orações e sermões, já ganharam. No entanto, não se trata de alegados valores morais. Os valores vultosos são outros e, para quem quiser ver, eu diria que estão explícitos.

Os grandes eleitores em questão não distinguem entre gabinete pastoral, escritório comercial e comitê eleitoral. Pastores, empresários e políticos incorporam-se no mesmo sujeito. Despacham da mesma cadeira. Desempenham três papéis, modulando apenas as expressões faciais e o tom de voz. Ganham valores monetários discursando sobre valores morais.

A melhor descrição desse tipo de gente foi o próprio Jesus quem fez. Confira, no capítulo 23 do Evangelho de Mateus, o sermão do Mestre. Destaco apenas um fragmento: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! […] Coais um mosquito e engolis um camelo!” (Mateus 23.23-24).

Irmãos que estão dentro se escandalizam e saem da Igreja. Pessoas que estão fora se escandalizam e não sentem qualquer vontade de entrar no templo. Cresce na sociedade brasileira a antipatia pelos crentes que se sujeitam ao “voto de cajado”.

A Igreja perde, enquanto os mercenários lucram.

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