Jovem relatou incômodo com visitas de suspeito dias antes de ser morta no PR

Thaissa Marques contou a um amigo que homem havia ido ao menos cinco vezes à academia; polícia diz que pessoa mencionada era Gabriel de Andrade
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Três dias antes de ser morta em Londrina, no Norte do Paraná, a jovem Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, enviou áudios a um amigo relatando incômodo com as visitas frequentes de um homem à academia onde trabalhava. Segundo a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), a investigação aponta que a pessoa mencionada nas mensagens era Gabriel de Andrade, também de 21 anos, preso em flagrante como suspeito do crime.

Os áudios foram enviados em 8 de setembro. Thaissa contou que o homem já havia aparecido pelo menos cinco vezes no estabelecimento, que ainda se preparava para a inauguração. Em um primeiro momento, ele teria procurado a academia para perguntar sobre uma vaga de emprego. Depois, retornou ao local e pediu para conhecer as instalações.

Em uma das mensagens, a jovem relatou preocupação ao acompanhá-lo pelo estabelecimento e perceber que algumas áreas não eram alcançadas pelas câmeras de segurança.

“Eu fui mostrar para ele a academia. Aí eu peguei e entrei já pensando: ‘Tem câmera, né? Qualquer coisa, espero que o meu gerente esteja olhando’.”

Thaissa também contou que tentou evitar que o homem entrasse na área dos banheiros justamente porque não havia câmeras no local. “Eu falei: ‘Ali são os banheiros e tudo mais, mas você não tem interesse em ver, não, né?’. Aí ele: ‘Não, quero ver os banheiros’. E eu pensando: ‘Não tem câmera’”, disse.

A Polícia Civil confirmou que os áudios foram incluídos no inquérito. Segundo a corporação, “os elementos obtidos até o momento permitem identificar a pessoa referida neles como sendo o mesmo indivíduo que foi preso pelo feminicídio”.

O gerente da academia também confirmou em depoimento que Gabriel havia se candidatado a uma vaga de emprego antes do crime, mas não foi selecionado. Um amigo de Thaissa afirmou ainda ter encontrado o suspeito no estabelecimento durante uma dessas visitas.

Crime e prisão

Thaissa foi morta a facadas na sexta-feira (11), enquanto distribuía panfletos no estacionamento da academia onde havia sido recém-contratada. De acordo com a polícia, ela reagiu a uma tentativa de estupro.

Após o crime, Gabriel deixou o estabelecimento com ferimentos na mão e, em uma rua próxima, teria dito a pessoas que havia sido vítima de um assalto. Enquanto ele era atendido, trabalhadores encontraram manchas de sangue na academia e acionaram a polícia, que localizou o corpo da jovem.

Segundo a Polícia Militar, Gabriel confessou o crime após ser confrontado pelos agentes e teria declarado que pretendia estuprar Thaissa. Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro.

Em depoimento posterior à Polícia Civil, porém, o suspeito apresentou versões contraditórias e afirmou não se lembrar de detalhes do ocorrido. Ele permanece preso.

A defesa de Gabriel informou ao site G1 que acompanha o caso e aguarda o desenvolvimento das investigações. Os advogados também pediram que sejam respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail