Esta semana nem tem muito o que dizer. Está em curso o julgamento que — seja qual for o resultado — já entrou para a história pelos envolvidos (patentes altas do exército brasileiro e um ex-Presidente da República), pelas peças anedóticas criadas pelas falas das diferentes defesas, as intervenções dos ministros e, principalmente, pelo alto grau de traição entre os envolvidos. Como diziam os mais velhos, quando a jurupoca pia…
Quando a jurupoca pia, quando o bicho pega, quando chega a hora do vamos ver, todo mundo solta a mão de todo mundo. Anderson Torres, antes aliado de todos, foi tremendamente atacado como mentiroso e outros, para livrar a própria pele, não hesitaram em jogar aos leões os outrora amigos no carteado, mas o ponto alto aconteceu quando o advogado Andrew Fernandes, que representa o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e réu no núcleo crucial da tentativa de golpe, abriu a ostra, soltou a pérola e jogou Jair Bolsonaro debaixo do trem.

A ministra Carmem Lúcia, demonstrando que estava atenta a cada vírgula dita no recinto, interrompeu o advogado para perguntar do que, afinal, Paulo Sérgio tentava demover Bolsonaro, pois todo mundo afirmou que não houve nada, que não participou de nada.
— “Demover de adotar qualquer medida de exceção. Atuou ativamente!”
Para bom entendedor, pingo é letra. O que Andrew disse foi que um presidente ávido por interromper a democracia precisou ser contido. Não há como acolher a tese da defesa do general, sem condenar o ex-presidente.
Quem diria que tanta valentia em lives, comícios, falas grosseiras em entrevistas ao longo de quatro intermináveis anos fosse degringolar em tanta adulação beirando o ridículo. “O ministro…sempre saudoso, sempre presente, sempre amoroso, sempre simpático, sempre atraente…como são os cariocas!”.
E sobrou nas citações para Van Gogh, Lewis Carroll e Alice no País das Maravilhas, Fernando Pessoa, Gonçalves Dias, Revolução Francesa… e até para a sogra de um dos advogados, o mesmo Andrew Fernandes.

Enquanto isso, na Gotham City do Congresso Nacional, deputados agiam como cupins dispostos a corroer (mais uma vez!) a democracia brasileira, reunindo nomes que apoiariam um pedido de anistia. Ninguém pode acusar a extrema direita de não ser resiliente em seus propósitos.
No fim, o povo brasileiro. O povo assiste impotente a esta partida de tênis nada divertida entre a justiça e políticos, sentindo que a bolinha golpeada sem dó é ele! O povo que continua na escala 6×1, que segue querendo mais saúde, educação, cultura, habitação, qualidade de vida… que continua ávido por um parlamento que pense nele e não em uma única família, que há décadas tem seus ganhos pagos por ele. Um povo que nunca é saudado com um “Vossa excelência, sempre simpático, sempre atraente”.
Ano que vem tem eleição e você, povo, pense no voto para presidente, mas pense ainda mais nos deputados e senadores que você coloca sentados nas cadeiras das casas parlamentares que dizem que são suas, mas onde nunca te deixam entrar.