Justiça do RJ torna réus cinco acusados por morte de ciclista em Copacabana

Decisão aceita denúncia por motivo fútil, meio cruel e sem chance de defesa; reportagem não identifica a defesa dos suspeitos
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Por Bruna Fantti

(Folhapress) – A Justiça do Rio de Janeiro tornou réus sob acusação de homicídio doloso os quatro presos e o foragido apontados pela morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37, linchado na madrugada de 12 de agosto em Copacabana, na zona sul da cidade.

A decisão, que aceitou denúncia da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal, também converteu as prisões temporárias dos cinco denunciados em preventivas (ou seja, sem prazo para soltura). A decisão foi incluída no processo na terça-feira (15), oito dias depois de a Polícia Civil concluir o inquérito sobre o caso, na segunda-feira (7).

A Promotoria ofereceu denúncia por homicídio triplamente qualificado, por considerar que o crime foi cometido por motivo fútil, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa do ciclista. Dois réus também foram denunciados sob acusação do exercício ilegal da profissão.

Cláudio Rafael Landeiro Moreira foi linchado na madrugada de 12 de agosto em Copacabana (Foto: Reprodução)

O caso

Cláudio foi agredido depois de ser acusado injustamente de ter furtado uma bicicleta. Ele estava com o veículo da irmã quando parou em frente a uma loja de brinquedos e a uma farmácia na rua Barata Ribeiro e foi cercado pelo grupo. As agressões duraram cerca de nove minutos e incluíram socos, chutes e golpes com um pedaço de madeira. Segundo a família, ele tinha defasagem cognitiva e não reagiu às agressões.

O inquérito se apoiou na análise de mais de 12 horas de imagens de câmeras de segurança para identificar os cinco autores diretos do homicídio: dois seguranças, dois entregadores de aplicativo e um quinto suspeito, ainda foragido.

Davi Santos Machado, segurança, é apontado como autor de ao menos 30 pauladas contra a vítima. O vigia Jorge Luiz Ricardo Dias teve participação classificada como acessória: segurou a bicicleta e o porrete usado nas agressões. Os dois foram presos em 20 de agosto. No dia seguinte, foram presos os entregadores Ailton José da Silva e Felipe Eduardo dos Santos Silva. Em audiência de custódia, os quatro não negaram as agressões e tiveram as prisões mantidas.

A polícia também não informou se os indiciados têm defesa constituída, e o processo corre em segredo de Justiça, o que impede a consulta a eventuais nomes de advogados.

O quinto suspeito, ainda foragido, é Wellington Luiz Santos de Souza. Segundo relatos de testemunhas, ele se aproximou do grupo, perguntou aos entregadores se a vítima era um ladrão e, após ouvir a confirmação, chutou a cabeça de Cláudio Rafael e disse: “Ladrão tem que morrer mesmo”. Ele não apresentou advogado.

Morte

Cláudio sofreu traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e rompimento de órgãos, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, também na zona sul, onde morreu no mesmo dia.

A Polícia Civil apura ainda se comerciantes da região financiavam o esquema irregular de segurança privada que atuava em Copacabana.

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