Ligações indesejadas afetam milhões de brasileiros; veja como reduzir o problema

Limitações dos sistemas atuais, adulteração de números e a implantação gradual de novas tecnologias explicam por que as chamadas abusivas continuam frequentes
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As ligações indesejadas seguem sendo um dos principais incômodos para os brasileiros. Segundo especialistas e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), fatores como as chamadas automatizadas, a adulteração de números de telefone e a adoção gradual do sistema “Origem Verificada” dificultam o combate às ligações abusivas. Enquanto a ferramenta não se torna obrigatória para todas as empresas, consumidores podem recorrer a serviços de bloqueio e identificação de chamadas para reduzir o problema.

Muitas das chamadas indesejadas são feitas por sistemas automatizados, conhecidos como “robocalls“. Nesse modelo, empresas ligam para diversos números ao mesmo tempo e, quando uma pessoa atende, as demais chamadas são encerradas automaticamente. A estratégia também é usada para identificar quais linhas telefônicas estão ativas e alimentar bancos de dados de contatos.

Outro fator que contribui para o problema é o chamado “spoofing numérico”, prática em que o número de origem da ligação é adulterado para se parecer com uma linha telefônica comum e dificultar o bloqueio pelas operadoras. A técnica pode ser realizada por meio de servidores de voz via internet (VoIP), amplamente utilizados por empresas, mas que também podem ser explorados de forma indevida.

Ferramentas como o “Não Me Perturbe” ajudam a reduzir parte dessas chamadas, permitindo que consumidores bloqueiem contatos de operadoras de telefonia e instituições financeiras participantes. No entanto, o sistema não impede chamadas feitas por golpistas ou empresas que desrespeitam o cadastro.

Usuários também podem recorrer aos recursos de bloqueio disponíveis em aparelhos Android e iPhone, além de aplicativos de identificação de chamadas, como Whoscall e Truecaller. Em casos mais extremos, é possível bloquear ligações de números desconhecidos, embora isso possa impedir o recebimento de chamadas importantes. A Anatel ainda orienta os consumidores a registrar reclamações e disponibiliza a plataforma “Qual Empresa Me Ligou”, que permite consultar a identificação de quem realizou a chamada.

Para ampliar a proteção, a Anatel aposta no sistema “Origem Verificada”, que autentica ligações em tempo real e garante que o número exibido pertence, de fato, à empresa que está realizando a chamada. A ferramenta também pode exibir o nome, a logomarca e o motivo do contato.

Segundo a ABR Telecom, o sistema autenticou 6,6 bilhões de ligações em junho de 2026. Atualmente, empresas que realizam mais de 500 mil chamadas por mês são obrigadas a aderir ao serviço, mas a autenticação passará a ser exigida para todas as ligações corporativas destinadas a consumidores apenas a partir de outubro de 2028. Hoje, o “Origem Verificada” reúne 63 operadoras parceiras, entre elas Vivo, Claro, TIM e Algar, e é oferecido gratuitamente aos usuários com aparelhos compatíveis conectados às redes 4G ou 5G.

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