O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (27), a saída às pressas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota na eleição presidencial. Segundo o presidente, deixar o país de forma discreta pode indicar que há algo a temer.
A declaração ocorre em meio a informações de que Flávio deixou o território brasileiro com destino aos Estados Unidos, menos de 48 horas após perder a disputa eleitoral. O senador não havia cumprido a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal (PF) e não deixar o país.
“Veja, eu perdi eleições para o Collor. Eu fiquei no Brasil. Eu perdi eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes, eu fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu para mim, ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim e ficou no Brasil. Eu fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país. (…) Quem não deve não teme”, disse Lula.
Lula também comparou a situação à sua própria trajetória. O presidente afirmou que, mesmo diante de convites para deixar o Brasil, decidiu permanecer no país em 2018, quando foi preso no âmbito da Operação Lava Jato.
Na ocasião, Lula permaneceu preso por 580 dias, até ser solto após decisões do STF que anularam suas condenações.
Passaportes de Flávio foram cancelados
A Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio Bolsonaro após o senador não entregar os documentos no prazo determinado pela Justiça. A corporação informou que comunicaria o descumprimento da ordem a Alexandre de Moraes.
A suspeita de que o parlamentar teria deixado o Brasil surgiu após notícias da imprensa argentina indicarem que ele teria cruzado a fronteira e pretendia seguir para os Estados Unidos em um avião particular.
Flávio é investigado em inquéritos que tramitam no STF, incluindo um que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ele também é alvo de investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.