O governo federal apresenta nesta quinta-feira (4) uma reformulação no Auxílio Gás, agora batizado de Gás do Povo. A iniciativa deve atender 15,5 milhões de famílias de baixa renda em todo o país e promete alterar a forma de acesso ao benefício: em vez de um valor em dinheiro, os beneficiários receberão diretamente o botijão de gás.
A expectativa do Planalto é que a mudança resolva críticas feitas ao modelo anterior, em que o valor repassado não acompanhava a alta do preço do GLP (gás liquefeito de petróleo) nem as diferenças regionais. Segundo o governo, a gratuidade do botijão garante mais segurança alimentar e previsibilidade no orçamento das famílias.
Para ter direito ao programa, é necessário estar inscrito no CadÚnico e ter renda per capita de até meio salário mínimo por mês. A retirada dos botijões começa já em outubro.
O orçamento previsto para 2026 é de R$ 5,1 bilhões, conforme o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Apesar disso, ainda não foi detalhado quais empresas serão responsáveis pela distribuição nem os critérios usados na escolha. A ideia é que cada região conte com companhias cadastradas para garantir a cobertura do benefício.

Lançamento do Gás do Povo
O lançamento será realizado em uma das maiores comunidades de Belo Horizonte e faz parte do pacote de combate à fome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta também reforça o discurso de sustentabilidade do governo, alinhado ao conceito de “cozimento limpo”, bandeira defendida pela primeira-dama Janja da Silva. Estimativas do Sindigás apontam que a iniciativa pode reduzir em até 50% o uso de lenha entre famílias de baixa renda.
O projeto é considerado uma vitrine política do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que deve disputar vaga ao Senado em 2026. Para entrar em vigor, a medida será instituída por medida provisória, com validade de 120 dias e necessidade de aprovação no Congresso Nacional.