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Megaoperação da PM tem alta letalidade e causa terror a 350 mil pessoas no RJ

Sete homens foram mortos pela polícia, três ficaram feridos e dois acabaram presos
27 de fevereiro de 2024

As polícias civil e militar do Rio de Janeiro realizaram, na manhã desta terça-feira (27), uma megaoperação em três complexos e dez favelas fluminenses. Todas as comunidades são dominadas pelo Comando Vermelho (CV), maior facção do estado e rival das milícias.

Operação da PM

Sete homens foram mortos nas incursões, três ficaram feridos e dois foram detidos. Dois policiais foram baleados.

A ação da Polícia Militar tinha como objetivo prender chefes do CV, segundo as polícias, que atacaram os complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, e também as comunidades Flexal, Trem, Engenho da Rainha, Juramento, Juramentinho, Ipase, Guaporé, Tinta, Quitungo e Cidade de Deus. A Polícia Civil fez uma megaoperação em três comunidades do Complexo da Maré.

Somando todas as comunidades, trata-se de uma população de aproximadamente 350 mil pessoas, que tiveram suas vidas afetadas mais uma vez. Milhares moradores enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho. A avenida Itararé, umas das principais vias de acesso ao Complexo do Alemão, chegou a ser fechada pelos policiais.

Somente no Complexo da Maré, somando as populações do Parque União, Nova Holanda e Baixa do Sapateiro, de acordo com os números do Censo da Maré, são mais 50 mil moradores afetados, aproximadamente.

Quinze linhas de ônibus municipais deixaram de circular na manhã desta terça (27), segundo o Rio Ônibus. O episódio impactou a vida de 130 mil usuários. A informação é do jornal O Globo.

A Clínica da Família (CF) Zilda Arns, no Complexo do Alemão, interrompeu o funcionamento nesta terça-feira, por medida de segurança. A CF Aloysio Augusto Novis, na Penha, suspendeu as visitas domiciliares.

Megaoperação da PM deixa 20,5 mil sem aula

A megaoperação nas comunidades do Rio de Janeiro deixou, ao menos, 20,5 mil alunos sem aula nesta terça-feira (27).

No Complexo do Alemão, 20 unidades escolares foram impactadas, o que impactou a vida de 7.185 alunos. Na Maré, o impacto foi ainda maior, com 24 unidades escolares foram impactadas pelas operações policiais em curso na área, afetando 8.140 alunos.

16 escolas e 4.894 alunos foram impactados no Complexo da Penha. No Morro do Trem, duas escolas foram impactadas, afetando 342 alunos.

“Tenho quatro filhos, estão todos sem aula hoje. Meu marido é motorista de ônibus e trabalha à tarde. Ainda não sei quem vai ficar com as crianças quando ele sair”, afirma a babá Ana Paula Silva, de 30 anos, ao portal ICL Notícias, moradora do Parque União, que saiu no meio do tiroteio para fazer faxina no Jardim Botânico, na zona sul da cidade.

Policiais invadem casas de moradores

Segundo a Polícia Militar, policiais estão em todas as 13 favelas do Alemão e também nas 13 da Penha.

De acordo com o jornal Voz das Comunidades, policiais estão invadindo casas dos moradores do Complexo do Alemão sem mandado judicial.

Uma mulher que falou ao Voz sem se identificar disse que “sempre que tem operação policial, os agentes entram e reviram tudo. Eu fico muito nervosa. Estou com um bebê de 2 meses, minha casa é muito bonita, mas tudo com o suor do meu trabalho. Isso não importa para eles, pensam que somos todos bandidos”.

Na manhã de hoje (27), policiais atiraram de dentro da casa de moradores. Em um vídeo, divulgado pelo Voz das Comunidades, é possível ver a situação na localidade conhecida como ‘Alvorada’, no Complexo do Alemão.

Na área conhecida como Mineiros, também no Complexo do Alemão, um vídeo mostra moradores tentando descer o morro com corpos e sendo impedidos por policiais.

Sete mortos

Ainda na madrugada de hoje, policiais do 21º BPM trocaram tiros com bandidos que saíam do Complexo da Penha com destino à comunidade do Trio de Ouro, na cidade de São João de Meriti. Quatro deles ficaram feridos, foram encaminhados para o hospital, mas não resistiram.

Outros quatro suspeitos foram baleados na Comunidade da Flexal durante confronto com policiais. Uma troca de tiros na comunidade Nova Brasília, no Alemão, deixou um suspeito baleado e outro, preso.

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