Por André Uzêda
A polêmica envolvendo a Meta IA e a produção de conteúdo sobre Lula (PT) não é a única controvérsia entre uma modalidade de Inteligência Artificial e a campanha de reeleição do presidente da República.
O ICL Notícias apontou, na última quarta-feira (14), que a programação utilizada no WhatsApp não obedece comandos quando são pedidas imagens com o nome de Lula e o número 13. Por outro lado, a Meta IA produz, sem qualquer restrição, conteúdos sobre Flávio Bolsonaro (PL) e a numeração da sua campanha presidencial, o 22.
Comparando com outras Inteligências Artificiais disponíveis no mercado, é possível notar que, em geral, as Big Techs priorizam a disseminação de conteúdos negativos quando a pergunta é diretamente sobre a trajetória política do petista ou decisões pendentes na justiça criminal – mesmo que, até o momento, Lula não esteja respondendo a nenhum processo ou seja investigado.
Um levantamento feito por uma empresa de monitoramento de redes, cujo conteúdo o núcleo investigativo do ICL Notícias teve acesso, testou diversas situações envolvendo o nome de Lula em diferentes Inteligências Artificiais controladas pelas Big Techs. A reportagem checou os testes e obteve os mesmos resultados do levantamento.
No Grok, Inteligência Artificial da Rede X, controlada pelo bilionário Elon Musk, quando perguntado sobre a reputação do presidente do Brasil, ele é descrito como uma figura polarizada e relacionada a casos de corrupção do partido e do governo. O Grok também cita decisões judiciais e controvérsias ligadas a Lula. Conquistas sociais e índices econômicos das três gestões do presidente não são apresentadas nesta análise.
No ChatGPT, controlado pela OpenAI, quando um usuário pergunta sobre problemas legais envolvendo o presidente Lula a resposta é um histórico relacionado sobre a Operação Lava Jato, puxando temas como o triplex do Guarujá, o sítio de Atibaia e o Instituto Lula.
Só depois de apresentar esse compilado, com pequenas fotos para cada um dos exemplos, o texto informa que “essas ações foram encerradas; não existe condenação válida decorrente delas”.

Somente em um segundo ponto, na segunda dobra da página, o ChatGPT volta a reforçar que “não há ação penal da Lava Jato em andamento contra Lula”. E que “os principais casos terminaram por anulação das condenações, encerramento das ações ou prescrição”.
Na mesma resposta, o ChatGPT ainda traz considerações e uma foto de Fábio Luís, o filho de Lula. O texto diz que “foram autorizados inquéritos para investigar suspeitas envolvendo o filho mais velho do presidente, incluindo possíveis práticas de tráfico de influência e corrupção em relações com órgãos federais”.
Só no fim, a IA afirma que “Lulinha não deve ser tratado como culpado pelo simples fato de ser investigado. A defesa nega irregularidades, e as apurações não constituem, por si só, acusações contra Lula.
A estratégia semelhante se repete com o Claude Opus 5, IA controlado pela Atrophic. Quando o usuário pede que seja listado uma cronologia dos escândalos envolvendo Lula, a resposta vem organizada como uma linha do tempo, dando a ideia de uma longa ficha corrida.
Apesar da pergunta ser específica pedindo que sejam citados casos envolvendo o presidente, a lista inclui nomes de aliados ou colegas de partido de Lula. Só ao fim do relato, a IA avisa que os casos não envolveram diretamente 0 ex-metalúrgico.
De acordo com a análise da empresa de monitoramento, esse tipo de formato “pode fazer alegações variadas parecerem um relato consolidado sobre Lula”.