Por Daniela Arcanjo
(Folhapress) – O órgão de migração da Argentina nega que Flávio Bolsonaro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (25), esteja na Argentina. O mesmo foi dito por um funcionário do governo Javier Milei em caráter reservado.
“A Direção Nacional de Migrações não registra a entrada de Flavio Bolsonaro na República Argentina. Diante da repercussão na mídia sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, as autoridades realizaram os procedimentos de fiscalização da aeronave e da tripulação”, afirma a nota divulgada pelo órgão.
E completa: “Constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro”.
A suspeita de que o senador estaria no país vizinho surgiu na madrugada desta terça-feira (27), quando o site argentino Infobae publicou que ele teria cruzado a fronteira com seu documento nacional de identidade para embarcar em um avião em Puerto Iguazu rumo aos EUA.
Ainda segundo o portal, a viagem seria realizada em uma aeronave Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly. O avião de fato decolou de Buenos Aires às 22h14 na noite de segunda (26) e pousou em Puerto Iguazu às 23h45. Depois disso, saiu dos radares.
O funcionário, que deu declarações sem se identificar, disse que a aeronave saiu da capital com tripulantes e sem passageiros a bordo, mas permanece no aeroporto de Puerto Iguazu. A empresa não teria plano de voo nem registro de passageiros, e por isso não teria decolado.
Aliados de Flávio no Brasil negaram, na manhã de hoje (27), que ele tenha deixado o Brasil. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não veio a público. Ele foi intimado na segunda-feira (26) pela Polícia Federal a entregar seus passaportes.
Pouco antes, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), havia cancelado todos os passaportes emitidos em nome de Flávio, proibindo-o de deixar o país. A decisão prevê ainda que ele está proibido de se comunicar com o advogado Willer Tomaz, um amigo investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.
Em vídeo, Flávio negou que deixaria o país e disse que a motivação de Moraes teria sido uma declaração de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que afirmou na sexta-feira (23) que o senador deveria sair do Brasil caso fosse derrotado nas eleições.
A PF (Polícia Federal) está fazendo um rastreamento nos pontos de fronteira do Brasil para verificar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do país.