ICL Notícias
Vivian Mesquita

Apresentadora, Repórter e Editora Chefe Executiva com passagens pela Editora Abril, Rede Globo e Canais ESPN Disney. Especialista em esportes de ação em mercado mundial. Profissional com formação consolidada na área de mídia e conteúdo esportivo, com mais de 20 anos de experiência em TV. Relacionamento sólido com a comunidade criativa local, produtoras, talentos, atletas, marcas e mídia. Habilidades em gestão de equipes, processos organizacionais e comunicação. Apresentadora do ICL Notícias - 1ª Edição.

Milei, Buenos Aires, The Cure e Bolsonaro

Senti melancolia pelos próximos quatros anos que aguardam nossos irmãos argentinos
30 de novembro de 2023

Acabei de voltar de uma rápida viagem a Buenos Aires, na Argentina. Eu e um grupo de quatro amigas fomos ao Primavera Sound para assistir ao The Cure. Mal pisei fora do aeroporto Jorge Newbery, e ali, esperando um Uber, dois jovens discutiam a recém-vitória de Milei. Um deles estava claramente contrariado e o outro rebatia dizendo que o novo presidente seria a única solução viável para o país (sic).

Meu Uber chegou. Boa, noite, quando tempo até a rua Guatemala em Palermo, por favor? Pegamos trânsito, era horário de pico. Nos 32 minutos seguintes ouvi Gustavo Adolfo – que não participou da votação por ser estrangeiro – defender a eleição de Milei. Foi praticamente um monólogo (ele não queria ouvir) em que, em resumo, apostava na ideia de que o novo presidente irá restaurar a economia argentina e que, apesar de “bizarro”, Milei é uma espécie de “salvador da pátria”. Só faltou o sobrenome Messias! Perguntei o que ele achava se o presidente começasse a pedir conselhos econômicos ao seu cão morto, ele não gostou. Fiquei sem resposta, claro.

Ainda naquela noite, eu e minhas amigas conhecemos três contadores que celebravam 30 anos de amizade na incrível Floreria Atlântico (floricultura com um bar subterrâneo sensacional). Assim que ouviram nossa falação em português, perguntaram: Lula ou Bolsonaro? Progressistas que são, inconformados com a vitória da extrema direita – exatamente como ficamos com Bolsonaro em 2018 -, eles disseram que aquele era um filme repetido que a Argentina não precisava assistir novamente.

Caminhando por Buenos Aires, curtindo a noite, os restaurantes e cafés nesse momento “ufa” que eu tanto precisava, senti melancolia pelos próximos quatros anos que aguardam nossos irmãos argentinos. Um país tão vibrante, de gente lutadora, merecia mais.

E por falar em melancolia, esse foi o tom do show do The Cure. A voz de Robert Smith continua absoluta, mas a setlist decepcionou. A banda tocou as canções mais conhecidas somente na última meia hora do show, já no segundo bis. Durante a uma hora e meia inicial, o The Cure tocou para o The Cure. Muita gente sentou no chão de cansaço, Smith não gostou nem um pouco e até reclamou com a plateia. Achei injusto, prestes a encarar o pesadelo Milei por 4 anos, os argentinos mereciam menos melancolia e mais alegria.

 

 

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