Ministério Público denunciou 216 pessoas por tráfico humano

30 de Julho: Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas
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O telefone toca. Você atende e do outro lado uma voz convincente tenta aplicar alguma fraude financeira. A pessoa dona desta voz pode estar em outro país e pode ser de alguém que está em cativeiro, vítima de tráfico humano. Parece enredo de filme policial, mas é muito real e o Brasil está na rota de um comércio tão antigo quanto a humanidade: o de pessoas.

O Ministério Público Federal concentrou as investigações e ações judiciais nesta área na Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoa e do Contrabando de Migrantes (UNTC).  O departamento denunciou 216 pessoas à justiça de 2025 até o último mês de junho e atuou em mais de 1.100 processos.

O tempo teima em não passar e o território brasileiro parece preso ao destino de ser ponto final ou de passagem no comércio de seres humanos. São números tenebrosos aos quais e somam as 137 pessoas denunciadas por contrabando de migrantes e 299 vítimas identificadas. Segundo o MPF, o Brasil funciona como local de aliciamento, como destino de estrangeiros traficados e passagem de gente que será comercializada em outros países, ou seja, é uma rota.

É transnacional e está tudo misturado. Corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, contrabando, tráfico de drogas… um submundo imundo e lucrativo, que tem na internet uma forte aliada. São postagens atraentes que oferecem oportunidades no exterior, facilidades para viagens e oportunidades que fazem brilhar os olhos de muita gente que caminha desavisava para uma armadilha da qual não é fácil escapar.

Bilhões circulam com a venda e compra de pessoas para exploração sexual, trabalho escravo, trabalho em países em guerra, exploração em plantações ou em fábricas clandestinas, pessoas usadas para traficar drogas ou animais.

O Relatório Nacional sobre o Tráfico de Pessoas de 2025 apontou o Camboja como um dos principais destinos dos brasileiros traficados, seguido por Israel, Itália, Bélgica e Albânia. Alguém pode perguntar: Cambodja?! Sim, países do sudeste asiático, América do Sul e África usam as pessoas escravizadas brasileiras para aplicação de golpes financeiros.

Segundo informa o portal do MPF, quando as pessoas aliciadas chegam no destino final, os passaportes são confiscados pelos criminosos, são obrigadas a pagar as passagens, comida, hospedagem. Adquirem dívidas impagáveis e são obrigadas a trabalhar em centros de golpes digitais (scam centres) em jornadas desumanas. Na mão contrária, os estrangeiros que chegam aqui traficados vão parar em sua maioria em plantações ou fábricas clandestinas.

O Ministério Público Federal alerta: Desconfie de qualquer oferta atraente demais com esforço de menos para trabalho no exterior. A instituição está em diversas campanhas mundiais de prevenção. Uma delas é o ‘Coração Azul”. Criada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em 2009, é realizada anualmente em diversos países, incluindo o Brasil.

Outra campanha, em parceria com outras 16 instituições, é o Projeto Liberdade no Ar, que está sendo veiculada nos aeroportos brasileiros e em locais de grande circulação.  As peças buscam alertar para as tentativas de aliciamento de crianças e adolescentes nas redes sociais.

Observe as providências abaixo antes de dar o primeiro passo na direção de alguma proposta muito tentadora:

Exija detalhes sobre o contrato e o local de emprego;

Pesquise informações sobre a empresa ou o agenciador;

Entre em contato com outras pessoas que já foram para o destino;

Não assine documentos sem tradução e não entregar passaporte ou documentos pessoais.

Antes de partir para qualquer lugar, compartilhar contatos e o itinerário com familiares e amigos.

Na última Festa Literária de Paraty – FLIP, relancei “O crime do cais do Valongo”, uma ficção que teve sua primeira edição em 2018. Uma metáfora para o sistema escravocrata. Há quem diga que já dissemos tudo sobre isso. Pelo visto não só ainda não falamos, como continuamos, em 2026, a dar camadas ainda mais complexas e sinistras ao pior crime contra a humanidade.

 

 

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