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Pedro Barciela

Autor no blog Essa Tal Rede Social, estuda e atua na área de monitoramento e análise de redes sociais com foco em política e campanhas eleitorais.

Mobilização em defesa do padre Julio é destaque nas redes

Alcance das menções e engajamento de atores faz com que o tema se destaque nas redes, obrigando bolsonarismo a mudar rota
6 de janeiro de 2024

Apesar de tratar de um tema local em outros momentos, a defesa da atuação do padre Julio Lancellotti ganhou peso nacional no dia 03/01. Entre as menções à possível abertura de uma CPI contra o religioso, 97,5% faziam duras críticas contra Rubinho Nunes – o responsável pelo pedido da comissão. Em defesa do ex-MBL, apenas publicações de suas próprias redes oficiais se destacavam. Não há qualquer indício nas redes sociais de que o “buzz” gerado pelo tema tenha produzido algum tipo de impacto positivo para o vereador.

Entre atores não-polarizados, certo “incômodo” com a inércia de outros atores importantes da igreja católica no Brasil: “ei @pefabiodemelo como vc não usa sua fama para defender o Padre Julio?” (973 mil views). O religioso viria a se manifestar apenas no dia 04/01 (768 mil views).

O tema demorou a ganhar o mesmo destaque na imprensa, apesar do engajamento de atores centrais no debate público e político nas redes sociais. Porém, ao despertar o interesse da imprensa, o tema recebeu ampla cobertura de portais como UOL, Globo, Folha, CNN, entre outros – diferentemente da pauta bolsonarista na semana, que tentava pautar o debate sobre Choquei | Mynd8. Esse movimento gerou incômodo entre atores centrais da oposição: “Não existe 1 único veículo de mídia do consórcio falando do escândalo Choquei/Mynd8.” (236 mil views), reclamou Kim Paim em seu X (antigo Twitter).

Em comum, o engajamento da imprensa com o tema destaca a mobilização em defesa do padre e expõe vereadores que assinaram requerimento para a instalação de CPI na Câmara de SP. Entre usuários que abordaram o tema, os termos mais registrados entre as bios analisadas foram LULA, ESQUERDA, PETISTA, JORNALISTA, POLÍTICA, VIDA, DEUS, DEMOCRACIA, PROFESSORA e JORNALISTA. A presença deste último é essencial para entender o incômodo bolsonarista com a repercussão do tema na imprensa, reforçando assim o buzz gerado pelo debate.

Esse cenário nos permite levantar uma hipótese para os próximos dias, onde o bolsonarismo muito provavelmente irá voltar suas armas contra o padre e o tema que, na disputa da semana, saiu vitorioso ao engajar um maior volume de agrupamentos para além da polarização. Fato é que, mais uma vez, o bolsonarismo não consegue pautar o debate público a partir de um tema que tenha escolhido.

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