O governo de Javier Milei fechou um acordo com os EUA para garantir investimentos americanos nas regiões com vastas reservas de recursos naturais, principalmente terras raras. Num anúncio em Nova York nesta semana, o líder argentino afirmou que garantiu um pacote de financiamento de US$ 7 bilhões parte do Export-Import Bank (EXIM) dos EUA.
Em troca, porém, os argentinos terão de comprar equipamentos e serviços exclusivamente dos EUA. O pacto também compromete o governo Milei a vender as terras raras preferencialmente ao mercado americano e sua indústria de defesa.
O argentino é considerado pela campanha de Flávio Bolsonaro como referência e, em discussões privadas, o candidato da extrema direita já sinalizou para o setor privado que deve seguir o caminho de Milei no que se refere à aproximação com os EUA no setor de terras raras.
Pelo pacote que começou a ganhar forma em fevereiro, as empresas operando na Argentina poderão ter acesso aos recursos financeiros nos próximos dois anos, com a condição de que contratem os serviços de companhias americanas.
O plano ampliaria os esforços de Washington para garantir o acesso a lítio, cobre e terras raras para os setores de energia, defesa e tecnologia de ponta. Estima-se que o governo dos EUA tenha destinado mais de US$ 1 bilhão em investimentos e financiamentos voltados para minerais críticos na América Latina desde janeiro de 2025, quando Trump assumiu o poder.
Batizada de Corredor Andes-Atlântico, a iniciativa tem como objetivo oficial “fortalecer e modernizar a infraestrutura que conecta o noroeste da Argentina — rico em minerais críticos — e a bacia energética de Vaca Muerta aos portos do Atlântico e aos mercados ocidentais, por meio de infraestrutura moderna de ferrovias, oleodutos/gasodutos, portos, energia e sistemas digitais”.
Mas o documento admite quem serão os beneficiados pelo projeto.
“O Corredor ajudará a destravar bilhões de dólares em investimentos, ampliar oportunidades para empresas dos EUA e fortalecer as cadeias de suprimentos de minerais críticos e energia, incluindo lítio, cobre, petróleo e gás”, comemora a Casa Branca.
A iniciativa é o primeiro Corredor da Parceria para Infraestrutura e Investimento Global no Hemisfério Ocidental, projeto desenvolvido pelo governo Trump para ocupar espaço na América Latina e conter o avanço chinês.
Segundo o texto oficial, o acordo prevê “o aprofundando a integração econômica entre EUA e Argentina e conectando investidores a oportunidades nos setores argentino de energia, mineração, infraestrutura e tecnologia”.
“O Corredor conectará as regiões argentinas ricas em recursos a portos interiores na Hidrovia Paraná-Paraguai e a portos do Atlântico, ajudando a atender à crescente demanda pelos setores de energia e mineração da Argentina, ao mesmo tempo em que reduz gargalos de transporte e energia”, diz.
Parte do investimento é na infraestrutura energética, que dará suporte aos setores de mineração da Argentina.
Um deles é uma carta de intenções indicativa do Exim Bank de até US$ 6 bilhões para o projeto Argentina LNG — um empreendimento integrado de gás natural liquefeito de US$ 51 bilhões em Vaca Muerta, liderado pela YPF em parceria com a empresa de energia italiana ENI e a empresa de energia dos Emirados Árabes Unidos, XRG.
“O financiamento proposto visa apoiar a aquisição de bens e serviços dos EUA necessários para o desenvolvimento de infraestrutura e atividades de produção, incluindo o contrato concedido à McDermott para engenharia, suprimentos, construção e comissionamento de uma instalação de tratamento de gás e fracionamento de líquidos de gás natural”, explicou.
Além disso, a empresa norte-americana Pumpco, subsidiária da MasTec, Inc., foi contratada para realizar obras de engenharia, suprimentos e construção, contrato avaliado em mais de US$ 1 bilhão.
Os americanos também construirão projetos de infraestrutura digital. “A Metrotel, empresa de capital norte-americano, está incorporando 6 milhões de usuários de telecomunicações na Argentina, garantindo conectividade confiável para empresas e cidadãos”, dizem os americanos.
Para os próximos meses, uma delegação dos EUA, composta por representantes do Departamento de Estado, viajará para Buenos Aires, Jujuy e Salta em outubro de 2026.
“O Subsecretário de Estado Christopher Landau viajará para a Argentina no final de outubro para discutir crescimento econômico e investimentos com parceiros dos setores público e privado, bem como para defender transações relacionadas ao Corredor”, anunciam os americanos.
Os Estados Unidos e a Argentina também coordenarão *roadshows* para conectar empresas norte-americanas a oportunidades de investimento e licitações de concessão em andamento.