Subiu para 2.295 o número de mortes provocadas pelos terremotos de grande magnitude que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24). A atualização foi divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo governo venezuelano. A quantidade de feridos passou para mais 11 mil.
O presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente, Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez, disse em seu mais recente pronunciamento que há 12.841 pessoas afetadas pelo duplo tremor. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que aproximadamente 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas.
Especialistas avaliam que o balanço oficial está muito abaixo da realidade. Segundo eles, o número de mortos deve ser maior, já que equipes de resgate continuam retirando corpos dos escombros diariamente, enquanto os necrotérios enfrentam dificuldades para receber e identificar o elevado volume de vítimas.
Na terça-feira (30), organizações humanitárias alertaram que o sistema de saúde da Venezuela está próximo do colapso, quase uma semana após os dois fortes terremotos. Com hospitais danificados, escassez de profissionais e uma demanda crescente por atendimento, unidades de saúde estão sobrecarregadas. Além disso, cresce a preocupação com a disseminação de doenças infecciosas nas áreas mais afetadas.

Ao mesmo tempo, o ritmo dos resgates diminuiu de forma drástica. De acordo com o governo venezuelano, 5.380 pessoas foram retiradas com vida dos escombros nos dois primeiros dias após os tremores. Nos três dias seguintes, porém, esse número despencou, e apenas quatro sobreviventes foram encontrados vivos pelas equipes de resgate na segunda-feira (29).
Em pronunciamento transmitido pela televisão ainda na terça-feira (30), Rodríguez afirmou que o país enfrenta um cenário de forte destruição, especialmente em La Guaira, cidade localizada próxima à capital, Caracas.
De acordo com as autoridades venezuelanas, ao menos 774 edifícios sofreram danos estruturais, dos quais 189 desabaram completamente. O número de feridos confirmados chegou a 3.150 na última terça-feira (30).
O governo ressalta que o levantamento contabiliza apenas mortes oficialmente confirmadas. Especialistas apontam que a possibilidade de localizar sobreviventes diminui consideravelmente após um período entre 48 e 72 horas do desastre.

Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos consecutivos atingiram o norte da Venezuela, região onde está localizada Caracas. Além das perdas humanas, os tremores causaram colapsos de estruturas e deixaram um amplo cenário de destruição na capital e em cidades vizinhas. Segundo registros históricos, foram os sismos mais intensos enfrentados pelo país em mais de um século.
Uma estimativa da Organização Internacional para as Migrações (OIM), vinculada à ONU, aponta que mais de seis milhões de pessoas podem ter sido impactadas pelos terremotos.
Em nota, órgão informou que até 6,8 milhões de moradores podem ter sofrido consequências diretas ou indiretas do desastre, com base em projeções populacionais e avaliações dos danos. Desse total, cerca de dois milhões estariam concentrados apenas em Caracas.
As áreas mais afetadas ficam na faixa litorânea do leste venezuelano, com La Guaira aparecendo como o município mais atingido. A zona do desastre também inclui Caracas e Maiquetía, onde está localizado o Aeroporto Internacional Simón Bolívar — principal terminal de entrada do país — que permanece fechado por tempo indeterminado. Outros aeroportos internacionais, como o de Valencia, já retomaram as operações.