Motoryn: Comitiva de bilionário aliado da direita dos EUA esteve em SP a meses da eleição

Documento interno do Rosewood obtido pelo jornalista Paulo Motoryn registra ao menos 15 hóspedes identificados como integrantes do grupo Thiel Capital & Presidio One
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Um grupo ligado ao bilionário norte-americano Peter Thiel esteve em peso em São Paulo em maio deste ano, meses antes do início oficial da campanha eleitoral brasileira. A informação foi revelada pelo jornalista Paulo Motoryn, durante participação no ICL Notícias – 1ª edição desta quarta-feira (23), e também publicada em sua newsletter Noites Húngaras.

Um documento interno do hotel Rosewood obtido pelo jornalista registra ao menos 15 hóspedes reunidos sob a identificação Thiel Capital & Presidio One. A Thiel Capital administra os investimentos pessoais de Peter Thiel, enquanto a Presidio One é uma empresa registrada no mesmo endereço da companhia, em Los Angeles.

“Às vésperas da campanha eleitoral, é importante a gente analisar essa visita e entender quem é Peter Thiel para entender o que está em jogo agora no mês de outubro”, afirmou Motoryn.

Segundo o jornalista, os documentos foram repassados por uma fonte que trabalha no Rosewood, hotel de ultraluxo localizado na capital paulista.

“Há alguns dias eu fui procurado por uma funcionária do hotel Rosewood, que é um hotel de ultraluxo na cidade de São Paulo. Obtive acesso, por meio dessa fonte, a uma série de documentos que comprovam o tamanho da comitiva do Peter Thiel quando ele esteve na cidade de São Paulo em maio”.

“São 15 funcionários que permaneceram por vários dias no hotel, em que a diária é de 15 a quase 20 mil por pessoa, e a justificativa inicial para a vinda foi um evento ligado a uma startup jurídica de que o Peter Thiel é um dos acionistas. No entanto, a permanência dessa comitiva foi muito mais alargada, o que, a partir desses documentos que eu obtive, levanta questões muito importantes sobre os objetivos do Peter Thiel aqui no Brasil”, disse.

Paulo Motoryn no ICL Notícias - 1ª edição. (Foto: Reprodução/ ICL Notícias)
Paulo Motoryn no ICL Notícias – 1ª edição. (Foto: Reprodução/ ICL Notícias)

Relações políticas de Thiel

Cofundador da Palantir e do PayPal, Peter Thiel mantém há anos atuação política nos Estados Unidos e foi um importante financiador da trajetória política do atual vice-presidente norte-americano, J.D. Vance. Thiel também está ligado ao Rockbridge Network, rede conservadora criada nos Estados Unidos.

No ICL Notícias, Motoryn citou ainda a passagem de Thiel pela Argentina e fez críticas à atuação da Palantir, empresa de tecnologia especializada na integração e análise de grandes volumes de dados e que mantém contratos com órgãos governamentais dos Estados Unidos e de outros países.

“A presença de Peter Thiel na Argentina e sua relação com o governo Milei foram motivo de escândalo por lá, levaram a protestos de rua porque o Thiel não é só mais um bilionário do Vale do Silício que se alinha à ultradireita americana, ele talvez seja o mais perigoso deles. A sua principal empresa tem uma tecnologia superpoderosa de cruzamento de dados e que se coloca a serviço sobretudo do Estado norte-americano, mas também de Israel, fazendo uma espécie de espionagem das populações a partir desse cruzamento massivo de dados que tem em sua empresa”, afirmou.

Motoryn também destacou declarações antigas do empresário sobre democracia e as relações de Thiel com grupos políticos de extrema direita nos Estados Unidos.

“Em 2009, Peter Thiel já disse que não acreditava na democracia, que qualquer forma de conciliar liberdade e democracia era impossível. Ele é o criador e um dos principais financiadores do Rockbridge, que tem uma presença muito forte na campanha do Flávio Bolsonaro, que é um grupo de empresários norte-americanos de ultradireita criado pelo Peter Thiel e pelo J.D. Vance, atual vice-presidente dos EUA”, disse o jornalista.

Eleição brasileira

Ao comentar a presença do grupo no Brasil, Motoryn relacionou a passagem por São Paulo ao contexto da eleição presidencial. Motoryn argumentou que as relações políticas e empresariais de Thiel tornam relevante acompanhar a atuação de integrantes desse grupo no país.

“É essa turma que desembarcou em uma comitiva de peso em um hotel de ultraluxo em maio, faltando poucos meses para o início da campanha eleitoral, em um contexto em que a interferência dos EUA na eleição brasileira não é mais uma hipótese, algo escondido. A gente precisa ficar muito atento à presença dessas figuras aqui”

“A possibilidade de interferência não é o simples fato de Trump reconhecer ou não uma vitória do presidente Lula, faz parte de todo esse ecossistema dos empresários e aristocratas ligados à sua gestão que interferem por meio de suas empresas e atividades aqui no Brasil”, afirmou.

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