Mourão afirma que Flávio deve explicar Dark Horse e critica ala bolsonarista, diz jornal

O ex-vice-presidente declarou ainda que o seu partido, o Republicanos, tende à neutralidade em 2026
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O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para 2026 é “muito turbulenta” e que o candidato precisará dar explicações públicas sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas em entrevista à repórter Letícia Pille, do jornal O Globo.

Vice-presidente entre 2019 e 2022, ele avalia que a prestação de contas é necessária para reduzir o desgaste político enfrentado pelo primogênito de Jair. Alvo de desconfianças no movimento bolsonarista, o ex-vice-presidente diz que alas do grupo político “não passam em exame psicotécnico do Detran”.

Na entrevista, Mourão afirma que a recente carta de Bolsonaro, pedindo união em torno da candidatura de Flávio, traz uma comoção para o grupo político, em razão da prisão do ex-presidente.  Comparando com a situação vivida por Lula e Fernando Haddad em 2022, Mourão diz:

“Chegou uma hora que ele (Bolsonaro) teve que tomar uma atitude e colocou essa carta no intuito de dizer: ‘Vamos entender que o candidato que nós temos é esse (Flávio) e vamos tentar trabalhar junto dele'”.

Questionado sobre as fragmentações na pré-campanha de Flávio, o senador afirma:

“Nesse meio tempo aconteceram algumas coisas com o Flávio. O pedido de recursos para o (Daniel) Vorcaro, a briga com Michelle (Bolsonaro), aquela outra idiotice que o cidadão (Paulo Figueiredo) que mora lá nos Estados Unidos disse que mulher não sabe votar. Isso é uma estupidez. Vamos combinar, né? E num país onde mais da metade das pessoas são mulheres. Não é nem tiro no pé, é amputação do pé”.

Mourão também afirmou que Flávio Bolsonaro precisará esclarecer os recursos recebidos para financiar o filme Dark Horse. Segundo ele, a prestação de contas seria uma forma de reduzir o desgaste em torno do caso.

“Quando a gente se apresenta o mais limpo dos limpos, tem que fazer valer essa aura. O Flávio, em determinado momento, vai ter que dizer: ‘Olha, o Vorcaro entregou tanto para a gente, nós gastamos tanto’, e aí resolve essa questão. Ele tem que ter uma vacina para isso, que é a prestação de contas”, declarou.

Apesar das turbulências, o senador avaliou que Flávio continua sendo o nome mais competitivo da direita para a disputa presidencial.

“Às vezes, não ganha o melhor, ganha o que tem voto. O Flávio é um cara novo, herda os votos do pai. A campanha dele está muito turbulenta, mas, quando efetivamente der um giro como candidato, apresentar um vice e uma equipe econômica, aí a gente pode ver ideias mais contundentes”, afirmou.

Mourão disse ainda que o Republicanos, partido ao qual é filiado, tende a permanecer neutro na eleição, embora integrantes da legenda participem das discussões da pré-campanha. Ele citou a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, como uma das pessoas que colaboram na elaboração de propostas econômicas para um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Ao comentar os ataques de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro contra aliados do próprio campo político, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Mourão fez duras críticas a grupos bolsonaristas.

“Infelizmente tem grupos dessa turma bolsonarista que, para mim, não passa num exame psicotécnico do Detran. São pessoas que parecem viver num mundo totalmente distinto daquele que é o mundo real e partem para as ofensas”, disse.

Segundo o senador, as disputas internas enfraquecem diretamente a candidatura de Flávio.

“Toda e qualquer briga, no atual momento, dentro do próprio entorno prejudica”, afirmou. Ele classificou esse tipo de conflito como um comportamento “autofágico”, em que divergências políticas acabam substituídas por ataques pessoais e pelo “assassinato de reputação”.

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