MPF arquiva inquérito do sumiço de duas ampolas com urânio enriquecido: ‘Foi extravio’

Personagens da extrema direita tentaram usar politicamente o caso das ampolas contra o governo Lula
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Por Tânia Malheiros — Blog Tânia Malheiros

O Ministério Público Federal arquivou o inquérito que apurava o sumiço de duas ampolas, cada uma com oito gramas de urânio enriquecido, ocorrido em julho de 2023, na Fábrica de Combustíveis Nuclear (FCN), da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende (RJ), conforme o blog divulgou em 16 de agosto daquele ano. “A investigação concluiu que se tratou de erro operacional interno, sem qualquer consequência externa”, divulgou a Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal (ASCOM).

“Estas ampolas são pequenos tubos contendo amostras dos cilindros com o material de hexafluoreto de urânio (UF6) utilizado na fabricação dos combustíveis das Usinas Nucleares de Angra 1 e Angra 2. São amostras testemunho para a comprovação do material contido nos respectivos cilindros”, que pertenciam “ao lote testemunho da 15ª recarga da usina nuclear Angra 2, com 8 gramas de urânio enriquecido a 4,25% em cada unidade”, confirmou a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), na época.

Por que se levou tanto tempo para finalizar o inquérito, sem nenhuma informação à imprensa? Afinal, onde pararam as duas ampolas? “Foram extraviadas quando a INB realizava a transferência interna de ampolas do tipo P10 entre áreas de armazenamento na FCN”, informou agora a ASCOM. “Não houve crime, dano ambiental, nem qualquer risco à população no episódio citado”, completou, dois anos depois da divulgação do caso. Vale lembrar que foi a CNEN que descobriu o sumiço do material, durante uma contagem de rotina, fato omitido ao órgão pela INB. Por este motivo, a INB, chegou ser chamada a atenção em reunião na Comissão., por este motivo.

Tentativa de envolver o governo Lula

Na semana passada, quando personagens da extrema direita tentaram usar politicamente o caso das ampolas, contra o governo Lula, induzindo que o material poderia ter ido para o Irã, o Blog alertou que se tratava de fake news. Ao mesmo tempo, solicitou informações à assessoria de comunicação da CNEN sobre o resultado das investigações e recebeu este retorno:

“A CNEN esclarece que eventuais informações sobre o resultado das investigações devem ser solicitadas diretamente à Polícia Federal, responsável pelo inquérito. De toda forma, o episódio mencionado é tecnicamente irrelevante em relação à questão do Irã, uma vez que as ampolas continham apenas uma quantidade ínfima de urânio enriquecido — poucas gramas, utilizadas exclusivamente para fins de amostragem em testes laboratoriais, com teor de enriquecimento muito baixo.

A título de comparação, para a fabricação de um artefato nuclear seriam necessários, no mínimo, 25 kg de urânio altamente enriquecido. Cabe destacar que todo material nuclear no Brasil é rigidamente controlado e rastreado, tanto pela CNEN quanto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em conformidade com os acordos de salvaguardas internacionais aos quais o país está plenamente submetido”.

Ampolas
Ampola de urânio

Ampolas sumidas

A assessoria de comunicação reiterou agora que as ampolas que foram extraviadas continham cada uma 8 gramas de hexafluoreto (UF6) de urânio enriquecido a 4,25%, “um nível que não possui margem de aplicação em uso bélico”, consta na nota divulgada dia 18/6/2025. “São amostras-testemunho para a comprovação do material contido nos respectivos cilindros”, acrescentou, conforme o Blog havia divulgado.

E mais: “O Brasil é signatário de diversos instrumentos internacionais nos quais se compromete com a não proliferação de armas nucleares e a utilização exclusivamente pacífica das atividades nucleares no País. O urânio enriquecido no Brasil é destinado à geração de energia, atingindo um nível máximo 5% de enriquecimento. Para fins armamentistas, seriam necessários níveis de enriquecimento de urânio acima de 80% e em quantidades absolutas milhares de vezes maiores do que o material nuclear das ampolas”.

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