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Nikolas vai fazer da Comissão de Educação um palco de polêmicas, diz Tarcísio Motta

Para Tarcísio Motta (PSOL–RJ), bolsonarista vai usar presidência como 'palco para polêmicas'
7 de março de 2024

Por Luiz Almeida

A indicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL–MG) para ocupar a presidência da Comissão de Educação da Câmara é motivo de apreensão entre parlamentares progressistas.

“Nossa grande preocupação é que ele transforme a comissão em um palco para polêmicas, para a própria promoção. Colocar Nikolas Ferreira na Comissão é dar poder a um inimigo da Educação”, critica o também deputado federal Tarcísio Motta (PSOL–RJ).

Professor, Tarcísio Motta acredita que temas importantes podem ser deixados de lado pelo futuro presidente da comissão, como o Plano Nacional de Educação.

ICLNotícias — Qual o risco de ter um extremista de direita como Nikolas Ferreira presidindo a Comissão de Educação?

Tarcísio Motta — A nossa grande preocupação é que ele transforme a comissão em um palco para polêmicas, para a própria promoção, para promoção de uma pauta que não tem nada a ver com Educação. Ele vai colocar no centro do debate da principal comissão de educação do país polêmicas como escola sem partido, debate sobre gênero.

Ele vai tentar criar um pânico moral com as famílias, o que é extremamente prejudicial quando nós temos que discutir verba para a estrutura das escolas, salário dos profissionais da Educação, dignidade, qualidade.

Entendemos que o PL [Partido Liberal] tem direito de indicar, mas nossa preocupação é que a indicação de uma figura como essa, que nunca discutiu a Educação na vida, a não ser neste tema [escola sem partido], faça desse tema o único da comissão. Isso é muito ruim para o país.

Por qual motivo o sr. acredita que o PL insistiu em indicar justamente esse nome para ocupar o posto?

A minha leitura de dar a Comissão de Educação para uma pessoa como o Nikolas, que faz parte de uma lógica de gente que persegue professores e persegue a Educação, é colocar o inimigo na cadeira da presidência, é dar o poder ao inimigo da Educação.

Isso deu errado em todos os ministérios do governo Bolsonaro. Na minha opinião, vai dar errado aqui também. É uma pena, mas é isso que vai acontecer.

Um outro nome cogitado pelo PL para a Comissão era o de Gustavo Gayer (GO). Qual dos dois é o pior, na sua opinião?

São dois desastres completos.

Tarcísio Motta teme que Nikolas Ferreira transforme Comissão de Educação em “palco de polêmicas”. Foto: Bruno Spada/ Divulgação

O sr. acredita que os outros integrantes da comissão não vão conseguir barrar propostas reacionárias de Nikolas?

O meu receio é que, de fato, todo o trabalho da comissão se inviabilize. Se toda sessão for funcionar na base da polêmica, das falsas polêmicas e do pânico moral, nada vai acontecer.

Então, vamos ter obstrução, questões de ordem, protestos e as coisas não vão andar. É uma pena, né? É desperdício de dinheiro público e de possibilidades para um tema tão importante como é a Educação.

Quais os temas principais que poderão ter retrocesso na Comissão de Educação, por causa dessa indicação?

O tema mais importante no momento atual é o debate sobre o Plano Nacional de Educação, que são as metas para os próximos dez anos. É preciso que a Comissão avalie os últimos dez anos, o que conseguimos e não conseguimos cumprir, e os porquês, e, a partir desse diagnóstico e o que aconteceu da conferência, a gente pense para a frente quais são as metas necessárias para a Educação.

E são metas sobre a valorização do profissional da Educação, aumento de vagas em creches, atendimento de qualidade a pessoas com deficiência. São todos os elementos que estão dentro do plano e que deveriam ser a prioridade da Comissão de Educação.

Existem alguns estados, por exemplo, que ainda hoje não pagam o piso nacional dos professores. Temos relatos de estados que, muitas vezes, usam subterfúgios e criam carreiras com outros nomes para não pagar o piso. Usam pagamento de auxílio transporte e dizem que, assim, estão pagando o piso. Há uma série de questões que precisam ser discutidas, além do debate sobre o piso salarial dos demais profissionais de Educação, que precisam, minimamente, de uma valorização.

Acredita, então, que Nikolas não vai pautar esses temas?

Esse é o nosso receio. Mas nós estaremos aqui para cobrar e denunciar tudo aquilo que acontecer de errado na comissão. Nós não vamos arredar pé, porque temos direito de estar aqui, de ser ouvidos e de falar em nome dos votos dos cidadãos e da trajetória que eu tenho na educação pública, que é uma trajetória claramente que o Nikolas não tem.

 

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