O candidato de Bolsonaro será o candidato do golpe

A família Bolsonaro condiciona a eleição de 2026 à sua sobrevivência política e exige submissão De qualquer candidato de direita
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Por Cleber Lourenço

 

Peço desculpas desde já ao leitor. Lamento antecipar cenários eleitorais com tanta brevidade, mas não há como ignorar: a eleição de 2026 já nasce contaminada por ameaças de golpe. A família Bolsonaro, hoje completamente alinhada a interesses estrangeiros e antinacionais, não trabalha para disputar em condições normais. Trabalha para impor ao país a ideia de que só haverá legitimidade se Jair Bolsonaro, direta ou indiretamente, for mantido no centro do poder. O resultado é que qualquer candidato que aceite o selo do clã entrará na disputa como representante de um projeto golpista.

Carlos Bolsonaro deixou claro esse enquadramento ao atacar governadores de direita que ensaiam candidaturas próprias, chamando-os de “ratos” e acusando-os de traição. Eduardo Bolsonaro age fora do país para buscar sanções e retaliações que atingem a economia brasileira, transformando interesses estrangeiros em arma política para tentar forçar a libertação do pai. Flávio, em tom mais brando, insiste que qualquer alternativa de direita precisa ser moldada sob a tutela da família, reforçando a mensagem de que não há espaço para autonomia dentro do campo conservador. Em comum, todos cobram subserviência absoluta: quem ousar propor um caminho independente será desmoralizado publicamente.

A subordinação da direita a esse projeto se transforma em chantagem permanente. A mensagem é simples: ou o campo político adere integralmente ao bolsonarismo ou será desqualificado como cúmplice de um suposto “sistema” que teria condenado Jair. Essa lógica reduz a política a uma prova de lealdade pessoal, afastando qualquer debate sobre programas de governo, prioridades sociais ou econômicas. O futuro do país passa a ser sequestrado pela necessidade de salvar um homem e sua família.

Os sinais vindos dos Estados Unidos agravam esse quadro, mas não são o centro da estratégia. Trump e sua Casa Branca já declararam que atos de autoridades brasileiras estariam “minando a capacidade do Brasil de realizar uma eleição livre e justa em 2026”. O Tesouro sancionou Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky e tarifas de até 50% foram impostas sobre exportações brasileiras. Mas essas medidas não servem apenas para pressionar de fora: funcionam como combustível para a narrativa interna do bolsonarismo, que as usa para reforçar a ideia de perseguição e justificar a contestação antecipada do processo eleitoral.

O verdadeiro motor do projeto golpista, porém, é a imposição de submissão dentro da própria direita. Não há espaço para pluralidade, nem para alternativas que não passem pelo crivo da família. O candidato que vier a ser escolhido como sucessor de Bolsonaro, seja qual for o nome, não será apenas mais um concorrente. Será o candidato do golpe, construído para sabotar a legitimidade do processo e para manter viva a chantagem contra a democracia brasileira.

O que se desenha é uma eleição de 2026 marcada pelo medo, pela desconfiança e pela ameaça concreta de não reconhecimento. A família Bolsonaro não apenas deslegitima as instituições e busca apoio em interesses externos: ela exige submissão completa de todos que orbitam a direita. E, nesse movimento, confirma que seu candidato não representará um projeto de país, mas sim a continuidade de uma estratégia de confronto com a democracia e de alinhamento a agendas que não servem ao Brasil, mas aos seus algozes.

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