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Xico Sá

Escritor e jornalista, faz parte da equipe de apresentadores do ICL Notícias. Com passagem por diversas redações e emissoras de tv, ganhou os prêmios Esso, Folha, Abril e Comunique-se. Participou de programas como Notícias MTV, Cartão Verde (Cultura), Redação Sportv, Papo de Segunda (GNT) e Amor & Sexo (Globo). É autor de Big Jato (Companhia das Letras) e A Falta (Planeta), entre outros livros. O colunista nasceu no Crato, na região do Cariri cearense, e iniciou sua trajetória profissional no Recife.

O comuna, o reaça e os dilemas dos indicados de Lula

Saída de Flávio Dino desfalca governo do seu mais combatente ministro; novo PGR é conservado no formol da direita
27 de novembro de 2023

“Uma parte de mim pesa, pondera; outra parte delira”.

O poema “Traduzir-se”, do poeta maranhense Ferreira Gullar, parece ter sido feito para o seu conterrâneo Flávio Dino, especialmente no caso da indicação do nome do ministro da Justiça à cadeira do STF.

Para os aliados e admiradores, a divisão também se faz explícita: uma parte comemora a escolha para o Supremo; outra parte acha que perdeu o melhor quadro no Ministério de Lula e um potencial candidato à Presidência da República — a visibilidade no cargo o levaria à disputa em 2026.

Esquerdismo à parte, há também a legião significativa que preferia uma mulher negra para a vaga deixada pela ministra Rosa Weber, mesmo reconhecendo as virtudes políticas de Flávio Dino. A advogada Vera Lúcia Santana Araújo, coordenadora da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, era uma das excelentes opções nesse debate.

Na cerimônia das indicações ao STF e à Procuradoria-Geral da República, no entanto, não havia nem cheiro de alguma dúvida ou dilema. Só a macharada ladeava o presidente Lula na foto.

Legenda: uma parte comuna (time do Dino), outra parte carola (equipe Paulo Gonet, o indicado à PGR).

Traduzir uma parte na outra parte tem sido a arte de um Lula equilibrista no embate com os poderes, afinal de contas os nomes precisam passar pelo crivo do Senado. Gonet, porém, parece só vertigem, como atesta seu currículo sintonizado com as causas mais conservadoras da direita.

Uma parte de mim almoça e janta — diria um debochado Dino nos banquetes servidos pelos bolsonaristas nas audiências do Congresso. Outra parte se espanta — com um procurador-geral tão reaça.

Leitor, leitora, que parte lhe toca nessa peleja? Ajude o cronista a decifrar as contradições da política.

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