Oposição admite travar pautas de interesse nacional para impor anistia a golpistas

Declaração de Rogério Marinho expõe que benefício a condenados do 8/1 está acima de projetos como a isenção do IR até R$ 5 mil e medidas contra o 'tarifaço'
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Por Cleber Lourenço

Em coletiva a jornalistas no final da manhã desta quinta-feira (7), o senador Rogério Marinho (PL-RN) escancarou a estratégia da oposição no Congresso: a prioridade é aprovar a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, mesmo que isso signifique manter paradas propostas de interesse direto da maioria da população. “Precisamos votar a anistia para depois voltar ao que interessa ao Brasil”, disse o parlamentar.

A fala confirma que, para a oposição, projetos como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil, o socorro a empresas atingidas pelo “tarifaço” norte-americano e outras medidas de impacto econômico e social ficam em segundo plano diante de uma pauta restrita a um grupo minoritário.

Oposição admite travar pautas de interesse nacional para impor anistia a golpistas

O impasse ocorre no terceiro dia da ocupação inédita das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado por parlamentares bolsonaristas. O movimento começou na terça-feira (5), como reação à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, e foi apresentado como parte do chamado “Pacote da Paz” — que inclui, além da anistia, a defesa das “prerrogativas do Congresso” frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o fim do foro privilegiado para parlamentares.

A declaração de Marinho, somada à paralisia das pautas de interesse nacional, reforça a percepção de que a oposição está disposta a usar o funcionamento do Congresso como moeda de troca para beneficiar um grupo específico, deixando de lado demandas urgentes para milhões de brasileiros.

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