Por Raquel Lopes
(Folhapress) – A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), nova fase da Operação Sem Desconto para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes no INSS.
Os principais alvos são o advogado Willer Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no Distrito Federal e no Maranhão.
O advogado é conhecido pela proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e chegou a ser preso com base na delação do empresário Joesley Batista, da JBS. Ele também é próximo do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Segundo a PF, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas. Os investigadores apuram se recursos teriam sido ocultados por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, empresas e operações realizadas com dinheiro em espécie.
A suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para esconder a origem e o destino dos valores movimentados.

O advogado Willer Tomaz disse, por nota, que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público.
Disse ainda que a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados.
“Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, disse o advogado, em nota.
O senador foi procurando, mas ainda não se manifestou.
A corporação informou que as diligências desta terça buscam reunir novas provas para esclarecer a origem e a destinação dos recursos, identificar a finalidade dos repasses financeiros e individualizar a conduta de cada um dos investigados.
A Operação Sem Desconto já apura um esquema de irregularidades investigado pela Polícia Federal, e esta nova etapa concentra-se especificamente na possível prática do crime de lavagem de dinheiro relacionada aos fatos já sob investigação.
Em janeiro deste ano, a Folha mostrou que um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, disse em depoimento à Polícia Federal que uma filha do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo, viajou em uma aeronave do empresário.
Segundo o relato feito à PF no dia 12 de novembro, o encontro teria ocorrido no aeroporto Catarina, no município de São Roque, em São Paulo, em 21 de fevereiro de 2024.
A Polícia Federal já concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto com 48 indiciamentos relacionados ao caso da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).
O relatório foi apresentado pela corporação ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator das investigações, em julho.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A lista inclui também o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira.
Esta etapa da investigação se concentra apenas em descontos realizados pela Conafer e não envolve outros personagens que foram alvo da investigação, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.