Por Cleber Lourenço
O PL é o partido que reúne o maior patrimônio declarado entre os candidatos das eleições de 2026. Levantamento do ICL Notícias com as 20.530 candidaturas registradas no país mostra que os integrantes da sigla somam R$ 5 bilhões em bens. O PDT aparece na sequência, com R$ 4,7 bilhões, seguido pelo DC, com cerca de R$ 3,6 bilhões.
MDB, com R$ 3,3 bilhões, PSD, com R$ 2,47 bilhões, e Republicanos, com R$ 2,38 bilhões, aparecem logo depois. O levantamento considera todos os candidatos registrados, inclusive os 637 suplentes ao Senado, e soma os valores dos bens informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No PL, que tem 1.628 candidaturas, parte importante do patrimônio está nas mãos de candidatos a suplente ao Senado. O maior deles é Luiz Osvaldo Pastore, empresário do setor de metais e candidato a primeiro suplente ao Senado pelo Tocantins, que declarou R$ 677,7 milhões.
Pastore é sócio-controlador da Ibrame (Indústria Brasileira de Metais) e tem atuação nos segmentos de importação, transformação e metalurgia, com negócios ligados à produção e mineração de cobre e alumínio. Ele também não é novato na política: já foi suplente de senadores pelo Espírito Santo e pelo Distrito Federal e chegou a assumir mandato no Senado em três ocasiões. Em 2026, aproximou-se do Tocantins acompanhado pelo senador Eduardo Gomes (PL-TO).
Outro grande patrimônio do PL é o de Wilson Picler, o Professor Picler, empresário do setor educacional e ex-deputado federal pelo Paraná, que declarou R$ 478,7 milhões e disputa uma suplência ao Senado. Picler construiu sua trajetória empresarial na área de educação e é fundador do grupo que deu origem à Uninter. Na política, já foi deputado federal pelo PDT e passou posteriormente por outras legendas antes de chegar ao PL.
O terceiro nome é Odílio Balbinotti Filho, empresário do agronegócio ligado ao setor de sementes. Também candidato a suplente ao Senado, Balbinotti integra uma família tradicional do agronegócio e da política. Neste ano, seu nome chegou a ser anunciado para a suplência na chapa de José Medeiros, em Mato Grosso.
Pastore, Picler e Balbinotti somam mais de R$ 1,5 bilhão em bens declarados. Juntos, respondem por cerca de 30% de todo o patrimônio das 1.628 candidaturas do PL.
O PDT ocupa a segunda posição, com R$ 4,72 bilhões distribuídos entre 1.099 candidaturas. Entre os maiores patrimônios aparecem Rosane Bach, candidata a deputada federal pelo Paraná, com R$ 1 bilhão; Adauto Souto, candidato a deputado federal, com R$ 804,5 milhões; e Fernando Irineu de Souza, o Fernando “Fê”, candidato a deputado federal por Santa Catarina, com R$ 501,1 milhões.
No caso de Fernando, registros empresariais mostram uma empresa individual em seu nome aberta em Biguaçu (SC) em 2022, cuja atividade principal é a prestação de serviços de pintura de edifícios.
No DC, o maior patrimônio pertence a Tobias Laurindo, economista, empresário e candidato a primeiro suplente ao Senado pelo Amapá. Ele declarou R$ 2,72 bilhões ao TSE.
Tobias atua no setor de construção e empreendimentos imobiliários no Amapá. É sócio-administrador da Amazon Norte Construções e Serviços, empresa aberta em 2001 e dedicada à construção de edifícios, e da Tobias Laurindo & Filhos Empreendimentos Imobiliários, criada em 2019 em Macapá. Ele também ocupa atualmente o cargo de tesoureiro-geral do diretório estadual do DC no Amapá.
Na declaração eleitoral, cerca de R$ 2,52 bilhões do patrimônio de Tobias correspondem a uma participação societária na Bela Vista Participações Ltda. Outros R$ 157,1 milhões foram informados em aplicações financeiras no Sicredi e R$ 36,4 milhões em participação na Laurindo e Rorato Participações.
Dois outros candidatos do DC aparecem na base original do TSE com patrimônios próximos ou superiores a R$ 1 bilhão, mas informaram que os valores foram declarados incorretamente.
Marcos Alcides Souza da Silva, o Marquinho do Transporte, é empresário, vereador de Campos dos Goytacazes (RJ) e candidato a deputado estadual. Ele apareceu inicialmente com R$ 1,001 bilhão em bens. Em 2024, quando foi reeleito para o segundo mandato na Câmara Municipal, havia declarado cerca de R$ 2,3 milhões. Sua assessoria informou que houve erro no preenchimento e que solicitou a retificação à Justiça Eleitoral.
Ramon Moreira, candidato do DC ao Senado por Minas Gerais, é juiz aposentado e presidente estadual da legenda. Com mais de quatro décadas de atuação na área jurídica, já disputou eleições para deputado federal e prefeito de Campo Belo. Em 2022, declarou R$ 13,5 milhões. Neste ano, o registro eleitoral apresentou R$ 939,7 milhões. Moreira também informou que corrigiria a declaração, que teria sido afetada pelo lançamento incorreto de um valor relacionado a crédito rural.
Na quarta posição está o MDB, com R$ 3,29 bilhões. Um dos maiores patrimônios é de Antídio Lunelli, empresário do setor têxtil, deputado estadual e candidato ao Senado por Santa Catarina, que declarou R$ 613,2 milhões.
Lunelli começou a trabalhar na agricultura com a família e posteriormente passou pelo comércio e pela indústria. Em 1981, fundou a empresa que deu origem ao grupo Lunelli, hoje com operações têxteis no Brasil e no Paraguai. Foi prefeito de Jaraguá do Sul por dois mandatos antes de chegar à Assembleia Legislativa catarinense. Nas eleições anteriores, empresário também foi a ocupação informada por ele ao TSE.
O PSD aparece em quinto, com R$ 2,47 bilhões. Entre os maiores patrimônios está Misael Varella, empresário e deputado federal por Minas Gerais, que declarou R$ 315,2 milhões e busca novo mandato na Câmara.
Varella está no terceiro mandato consecutivo como deputado federal e declara empresário como profissão. Antes da carreira parlamentar, atuou em empresas da família, entre elas negócios de comércio de veículos pesados e concessionárias de automóveis. É filho do ex-deputado federal Lael Varella.
O Republicanos vem em sexto, com R$ 2,38 bilhões. Um dos principais patrimônios pertence a Otaviano Pivetta, empresário do agronegócio e governador de Mato Grosso, que declarou R$ 575,7 milhões e disputa a permanência no Palácio Paiaguás.
Pivetta construiu sua carreira empresarial no agronegócio mato-grossense. Na política, foi prefeito de Lucas do Rio Verde, deputado estadual e vice-governador por dois mandatos. Assumiu o governo em março deste ano após Mauro Mendes deixar o cargo para disputar o Senado e concorre agora ao governo estadual.
União Brasil, com R$ 1,91 bilhão, e Novo, com R$ 1,69 bilhão, aparecem em sétimo e oitavo lugares. O PSDB soma cerca de R$ 1,37 bilhão e ocupa a nona posição, seguido pelo Progressistas, com R$ 1,28 bilhão.
O PT aparece na 15ª posição, com R$ 784,9 milhões distribuídos entre 1.095 candidaturas. O partido tem praticamente o mesmo número de candidatos do PDT, que registra 1.099, mas o patrimônio declarado pela legenda é cerca de seis vezes menor.