O projeto do prefeito Eduardo Paes (PSD) para armar a Guarda Municipal do Rio de Janeiro voltou ao centro de uma disputa política, agora em âmbito estadual. Durante sessão na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta quarta-feira (18), o deputado estadual Filippe Poubel (PL) anunciou que seu partido vai entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade para barrar a proposta aprovada na Câmara Municipal em abril.
O principal alvo da ofensiva é o trecho do projeto que autoriza a contratação temporária de agentes para compor uma divisão de elite armada da Guarda Municipal. Segundo Poubel, essa medida representa um risco para a segurança pública, ao abrir brechas para que esses profissionais, ao fim dos contratos, sejam cooptados pelo crime organizado.
“O que será de cada agente quando findar o contrato? O tráfico e a milícia irão recrutar. É um ato insano e inconstitucional do prefeito, que iremos judicializar”, declarou o deputado no plenário. A crítica foi acompanhada por outros membros do PL e também pelo líder do Governo na Alerj, deputado Rodrigo Amorim (União), que classificou a proposta como “inadmissível”.
A tentativa de barrar judicialmente o projeto é mais um capítulo da tensão entre Paes e aliados do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), seu provável rival na eleição ao governo do estado em 2026. A proposta de Paes de armar a Guarda é tratada como uma das principais bandeiras de sua pré-campanha, em busca de apoio entre eleitores que priorizam segurança pública.

PL na justiça
O vereador Rogério Amorim (PL), líder da bancada do partido na Câmara Municipal do Rio, também atacou duramente a medida. “Essa milícia de apaniguados, além de inconstitucional, é o maior escândalo eleitoreiro já visto”, afirmou.
Apesar das críticas, o projeto foi aprovado pelos vereadores após negociações e modificações no texto original enviado por Paes. Agora, com a ofensiva do PL na Justiça, o futuro da proposta ainda é incerto.