PM que rezou ao atirar em eletricista foi inocentado após matar homem com tiro no tórax em 2021

Cabo Cauan Alencar Bastos chegou a responder por homicídio de um homem, mas o caso foi arquivado
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O cabo da Polícia Militar Cauan Alencar Bastos, de 35 anos, que efetuou seis dos sete disparos que mataram o eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, em abril, já havia respondido anteriormente a uma acusação de homicídio.

O caso ocorreu em 2021, quando o PM patrulhava uma rua do Jaragua, na mesma região. atingiu com um disparo um motociclista que estava parado em frente a um ponto de venda de drogas. Na ocasião, o policial afirmou ter encontrado Luiz Dionísio de Andrade Filho “em atitude suspeita”.

À época, Cauan Alencar Bastos que o homem teria ameaçado sacar uma arma e foi atingido. Na ocasião, a ocorrência não foi registrada por câmeras de segurança.

“Um revólver da marca Rossi, calibre .32 foi localizado na posse dele. Embora o ofendido tenha sido socorrido ao Pronto Socorro de Taipas, evoluiu a óbito”, diz um relatório da Polícia Civil sobre o caso.

O Ministério Público, após o cabo e outros policiais prestarem depoimento, pediu o arquivamento do caso. Segundo a promotora Tatiana Callé Heilman, um dos fatos que o fizeram pedir a absolvição do policial foi o fato de ele ter “agido moderadamente”.

“A prova coligida demonstra que o policial militar agiu sob o manto de excludente de ilicitude. Isto porque agiu em legítima defesa, ao efetuar disparo contra Luiz Dionísio de Andrade Filho, que apontava a arma em direção aos agentes do Estado. Assim, o policial reagiu a uma injusta e iminente agressão, não restando alternativa que não a de disparar contra o agente, tendo ocorrido o óbito de Luiz Dionísio. Saliente-se que o policial agiu moderadamente ao efetuar um único disparo de arma de fogo”, disse Heilman.

No dia seguinte, a juíza Paula Marie Konno, da 2° Vara do Júri de São Paulo, acolheu os argumentos do MP e arquivou o caso.

Morte de eletricista

O eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, foi alvo de sete tiros disparados pelos policiais militares Cauan Alencar Bastos e José Otávio Ribeiro em abril, em Pirituba, Zona Norte de São Paulo. Segundo as imagens, ele  estava prestes a soltar a faca no chão no momento em que foi atingido.

Igor dirigia um carro pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães quando parou em um semáforo vermelho. Ele desceu do veículo com uma faca na mão e avançou em direção a um motociclista, que também aguardava no sinal, e com quem havia discutido. Em seguida, o motoboy se afasta e corre até uma viatura policial próxima do local.

Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, 45, trabalhava com pequenos reparos - Acervo pessoal
Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, 45, trabalhava com pequenos reparos. (Foto: Acervo pessoal)

Segundo relatório de investigação, o homem “fica imóvel e em certo momento aparenta querer colocar a faca no chão. Nesse momento, é atingido pelos disparos, caindo no solo em seguida”. A informação é do jornal O Globo.

Os  familiares de Igor Rodrigues afirmaram que ele fazia uso de medicamentos controlados para tratar esquizofrenia. Ele trabalhava como eletricista e encanador, e realizava serviços de manutenção em geral.

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