Por André Fleury Moraes
(Folhapress) – A Polícia Civil de São Paulo prendeu na manhã deste sábado (20) mais três pessoas suspeitas de participar do episódio que culminou na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, arremessada sem cordas de segurança durante a prática de um salto em Limeira (SP), no último dia 13.
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) não divulgou o nome dos envolvidos, mas disse que os alvos foram uma mulher e dois homens contra os quais a Justiça emitiu mandados de prisão temporária —que têm validade de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.
Os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, em Limeira e em Indaiatuba (SP).
A decisão que decretou as prisões autorizou também o cumprimento de mandados nos endereços dos investigados, “com a apreensão de aparelhos celulares, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos”, segundo a SSP.
A delegada responsável pelo caso, Andréa Levy, declarou, por meio da secretaria, que as três pessoas presas neste sábado integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade de rope jump.
Segundo ela, há indícios de “possível supressão de provas relevantes para a investigação”, especialmente relacionadas ao desaparecimento de uma câmera que Maria Eduarda segurava no momento do salto.
“Também foram identificados indícios de que conteúdos digitais potencialmente relevantes à elucidação do caso teriam sido excluídos após a ocorrência, circunstâncias que fundamentaram os pedidos cautelares apresentados pela Polícia Civil e acolhidos pelo Poder Judiciário”, acrescentou a SSP.

Além da suspeita de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de produzir um resultado, a investigação apura se os envolvidos cometeram algum tipo de fraude processual.
As prisões deste sábado se somam às primeiras detenções realizadas uma semana atrás, no dia 13, quando Maria Eduarda foi arremessada da ponte sem os equipamentos de segurança.
Três pessoas foram presas na ocasião: Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32; Vitor de Freitas Gonçalves, 27; e Maicon Fernandes Cintra, 42. Em depoimento à Polícia Civil eles disseram não saber o que ocasionou a falha de segurança.
A polícia trabalha com a imputação de homicídio com dolo eventual e diz que os envolvidos assumiram o risco de matar Maria Eduarda ao arremessá-la da ponte sem as cordas de segurança. A defesa deles, por sua vez, sustenta que o caso se trata de um crime culposo, sem intenção.
“Eles não eram loucos. Sabiam que alguém iria morrer se fosse arremessado dali sem corda. Como fariam isso? O que houve ali foi uma tragédia que deve ser tratada como homicídio culposo [quando não há intenção de matar]”, disse à Folha o advogado Rafael Gomes da Silva, na semana passada.
Na noite da última quinta-feira (18), o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido liminar (provisório) para soltar Maicon Cintra e Luís Felipe Egoroff. O pedido poderia beneficiar também o outros preso, Vitor Gonçalves. Cabe recurso.
Relator do habeas corpus no tribunal, o desembargador Mazina Martins disse na decisão que “em casos assim é necessário primeiramente ouvir as informações que possam ser prestadas pelo Juízo de origem a respeito dos diversos temas invocados”. Somente depois, afirmou, o TJ-SP poderá decidir.