Polícias mataram mais de 4 mil pessoas em 2024 em nove estados, aponta relatório

Levantamento da Rede de Observatórios mostra que negros têm 4,2 vezes mais chances de morrer em ações policiais
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A cada 24 horas, pelo menos 11 pessoas foram mortas por policiais em 2024 em nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

No total, foram 4.068 mortes registradas, sendo 3.066 de pessoas negras — o equivalente a 86% das vítimas. Os dados fazem parte da sexta edição do boletim Pele Alvo: crônicas de dor e luta, lançado nesta quinta-feira (6).

O levantamento mostra a continuidade de um padrão de segurança pública assentado na violência e no racismo estrutural. De acordo com o relatório, pessoas negras têm 4,2 vezes mais chances de morrer em ações policiais do que pessoas brancas.

Entre as vítimas, 57% tinham entre 18 e 29 anos — grupo que concentra 2.324 mortes. O relatório também chama atenção para o avanço das mortes de crianças e adolescentes: foram 297 casos na faixa dos 12 aos 17 anos, além de uma vítima entre 0 e 11 anos, o que representa aumento de 22% em relação a 2023.

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Relatório Pele Alvo: crônicas de dor e luta, da Rede de Observatórios da Segurança  – Imagem: Reprodução

BA e SP destoam com índices mais altos

Em seis anos de monitoramento (2019 a 2024), houve uma redução média de 4,4% nas mortes por intervenção policial, mas o movimento não é uniforme. Bahia e São Paulo seguem na contramão dessa tendência. A polícia baiana foi a mais letal do país, com 1.556 mortes em 2024 — alta de 139% desde 2019. No estado, pessoas negras têm seis vezes mais chances de morrer em ações policiais.

São Paulo registrou o maior crescimento de um ano para o outro entre os nove estados: a letalidade policial subiu 59% em 2024. No mesmo período, o Rio de Janeiro apresentou queda de 61% nas mortes desde o início do monitoramento, mas ainda contabilizou 546 vítimas — 4,5 vezes mais negras do que brancas.

Nos demais estados, o boletim mostra que o perfil das vítimas segue um padrão: jovens, negros e moradores de periferias. No Amazonas, 90% das pessoas mortas por policiais eram negras. Em Pernambuco, o índice chegou a 92,6%. No Piauí, todas as vítimas registradas eram homens, e 80% foram mortas por agentes da Polícia Militar.

Para a Rede de Observatórios, os números revelam que a cor da pele continua sendo um dos principais fatores de risco para mortes violentas no Brasil.

“As desigualdades raciais atravessam a realidade brasileira e repousam em um lugar profundo, reverberando para todas as áreas da vida social. No campo da segurança pública, o racismo e a política de segurança se consolidaram como um par de atração magnética. A cada novo dado, o Brasil repete a mesma tragédia: o Estado mata com base em critérios raciais. Não se trata de desvio, mas de um padrão,” afirma Jonas Pacheco, coordenador de pesquisa da Rede de Observatórios.

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