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Por Danielle Brant*

(Folhapress) — A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou recurso contra decisão do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), de recusar um projeto de decreto legislativo para sustar nota técnica do Ministério da Saúde que incorpora as imunizações contra a Covid-19 no calendário de vacinação infantil.

O PDL foi apresentado pela deputada bolsonarista Júlia Zanatta (PL-SC) em dezembro de 2023. O texto susta nota técnica federal que acrescentou os imunizantes contra Covid-19 no calendário do Programa Nacional de Imunizações para crianças de 6 meses a menores de 5 anos.

O projeto, no entanto, foi devolvido pela Mesa Diretora em fevereiro deste ano sob argumento de ser inconstitucional. Zanatta conseguiu recolher assinaturas para apresentar o recurso junto à CCJ, que foi aprovado por 28 votos favoráveis a 14 contrários. Com isso, o recurso segue para plenário. Se aprovado, o PDL volta a tramitar.

Zanatta critica a incorporação da imunização no calendário infantil. “A forma como foi feita a obrigatoriedade, introduzida no PNI, no Plano Nacional de Imunização, por meio de uma nota técnica, não é o meio adequado para se introduzir essa obrigatoriedade”, afirma.

“A gente considera isso muito autoritário, segregador. Até porque se você não der a vacina da Covid, as pessoas mais vulneráveis podem perder até o Bolsa Família. É importante que essa obrigatoriedade caia porque não faz o menor sentido o Brasil ir na contramão do mundo”.

Deputada Júlia Zanatta

Julia Zanatta questiona a obrigatoriedade de vacina para crianças

Campanha antivacina é marca bolsonarista

Em meio à pandemia, tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro fizeram de tudo para criar desconfiança quanto à eficácia da vacina contra a doença e também criticaram muito a obrigatoriedade da imunização, uma das medidas que ajudou o Brasil a erradicar vários males.

Bolsonaro chegou a comentar que a imunização contra a Covid poderia disseminar o vírus HIV, algo que é totalmente falso. Também o ministro da Saúde do governo passado, Marcelo Queiroga, lançou dúvidas sobre possíveis riscos (nunca comprovados) da vacinação de crianças.

O deputado como Gustavo Gayer (PL-GO) publicou nas redes sociais vídeo em que afirmou falsamente que não há provas de que a vacina é mais benéfica que maléfica. Outros parlamentares bolsonaristas fizeram manifestações parecidas.

*Com Redação

 

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