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Quase 50 baleados atendidos no SUS por dia em 2022, indica estudo

Levantamento do Instituto Sou da Paz mostra que houve 17,1 mil internações desse tipo no ano, com custo de R$ 41 milhões do orçamento da saúde pública
15 de dezembro de 2023

Um estudo do Instituto Sou da Paz indica que, em 2022, aproximadamente 50 pessoas vítimas de disparos de armas de fogo foram atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. O levantamento aponta que houve 17,1 mil internações desse tipo no ano, a um custo de R$ 41 milhões do orçamento da saúde pública brasileira. Além disso, a pesquisa identificou que o perfil desses pacientes costuma ser homem, jovem e negro.

Os dados constam na segunda edição da análise “Custos da violência armada no sistema público de saúde”, realizada pelo Sou da Paz. Sobre os gastos, o instituto faz uma ressalva dizendo o número – R$ 41 milhões – não retrata todos os cutsos, já que, de acordo com os pesquisadores, não existem informações que permitam identificar e estimar os custos de outros tipos de assistência às vítimas. 

Internações e óbitos por arma de fogo, série histórica. Foto: Reprodução/Estudo Instituto Sou da Paz

Em todo caso, o que afirma o Sou da Paz é que, em comparação com anos anteriores, há uma tendência de queda dos custos, sobretudo a partir de 2018 – “ano em que os homicídios caíram abruptamente no país e que também marca o início da redução das internações”.

Em 2021, entretanto, os pesquisadores identificaram um sobressalto nos casos. Ainda assim, o estudo pondera que a redução nos custos reflete também a diminuição de casos de alta gravidade, que custam mais, fora “a defasagem dos preços de referência da tabela SUS para ressarcimento dos serviços prestados”.

Principal causa das internações: agressões intencionais

As agressões intencionais, de acordo com o Sou da Paz, são a principal causa de internações decorrentes de ferimentos por arma de fogo e responderam, em 2022, por 75% dessas internações.

Depois, foram identificados os acidentes (17%) e as lesões autoprovocadas (1,5%), sobrando 6,5% de casos em que a causa do ferimento não foi identificada.

Perfil dos pacientes internados

O levantamento também identificou que homens representaram 89,6% das vítimas. Além disso, eles ficam mais tempo internados e a diária custa mais ao sistema público de saúde, e a taxa de mortalidade hospitalar deles é maior. Possivelmente, dizem os pesquisadores, isso reflete a gravidade maior das lesões sofridas em comparação com as mulheres.

A pesquisa aponta que jovens são mais vitimados, mas a proporção deles entre os pacientes tem diminuído. Ainda assim, são os jovens que respondem por mais da metade das internações ao longo da série até 2022.

Outro indicador do estudo mostra que a violência armada vitima mais pessoas negras: em 2022, representaram 57% das internações e as vítimas não negras, 16%.

As dimensões do custo da violência

A pesquisa aponta que o valor médio de uma internação por agressão com arma de fogo em 2022 é de R$ 2.391,00, custo 59% maior do que o da agressão por outras formas. Além disso, o valor total das internações por agressão armada em 2022 é cerca de duas vezes maior que o de agressões provocadas por força corporal e por arma branca.

O estudo ressalta que os custos do tratamento de ferimentos por arma de fogo podem variar e sobrecarregar os serviços de assistência hospitalar e ambulatorial. Nas regiões Norte e Nordeste, os gastos com internações por arma de fogo representaram 3,2% dos gastos com internações hospitalares por causas externas, 150% a mais do que a média nacional em 2022.

Consumo de recursos

Fora ser caro, os gastos direcionados ao tratamento das vítimas, segundo o Sou da Paz, consomem recursos que poderiam ser investidos em políticas públicas e destinados à saúde preventiva se os níveis de violência armada fossem menores no país. Com os R$ 41 milhões gastos em 2022, o instituto afirma que, por exemplo, poderiam ser realizados:

  • 40,5 milhões de testes rápidos de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis)
  • 10 milhões de hemogramas completos
  • Quase 1 milhão de mamografias

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