Racismo institucional

O racismo está entranhado nas relações sociais para salvaguardar os privilégios da branquitude
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O racismo é um componente extremamente danoso. Além de ter atuado e guiado, durante anos, formas e sistemas de relações sociais, políticas culturais e espirituais, criou e fortalece interpretações sobre os nossos corpos, minimizando e diminuindo as nossas conquistas cotidianas. Nos últimos dias, assistimos e testemunhamos o caso da professora Érica Bispo.

Após ser provada em 1º lugar para a vaga de docente de Literaturas Africanas e Língua Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade Federal de São Paulo-USP, a docente recebeu a notícia que o concurso público foi anulado. A justificativa apresentada para a anulação e a alegação de “indícios de relações de proximidade” entre Érica e duas professoras da banca.

A solicitação de recurso para a anulação, feita à banca de seleção, partiu de seis concorrentes brancos. Mesmo após as argumentações de Érica Bispo de que as alegações dos candidatos reprovados não tinham embasamento e fundamentação, o Conselho Universitário da USP decidiu pela anulação.

E é exatamente aqui que o racismo institucional reside. Em Memórias da Plantação, ao analisar as múltiplas formas do racismo na sociedade, a psicanalista Grada Kilomba ponta que o racismo institucional, “se refere a um padrão de tratamento desigual nas operações cotidianas”, tais como em sistemas e agendas educacionais, mercado de trabalho, justiça criminal, como bem conhecemos aqui no Brasil.

O racismo é um dos principais produtos culturais da herança do colonialismo europeu que, além de fabricar relações de hierarquia, também fomenta as desigualdades.

Um produto extremamente nocivo para a nossa sociedade, construído sobre a ideia de superioridade e privilégios que não estão ligados necessariamente a questões financeiras. Pois o racismo, enquanto produto, seja dentro ou fora do Brasil, está entranhado nas relações sociais e culturais para assegurar a manutenção e salvaguardar os privilégios da branquitude.

Assim, o caso de Érica Bispo ilustra o descontentamento de determinados setores da sociedade brasileira que não vislumbram a presença de docentes negras/os dentro das universidades.

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